Custo elevado e margem apertada leva pecuarista a repensar sistemas de produção

Produtores em Brasnorte buscam alternativas para tentar melhorar rentabilidade e permanecer na atividade

Pecuaristas de corte na região noroeste de Mato Grosso buscam alternativas para resolver o desequilíbrio entre receita e despesa com o intuito de obter uma melhor rentabilidade e permanecer na atividade. A cautela e o planejamento são palavras de ordem.

O pecuarista Aldo Rezende Telles Júnior possui um rebanho de quase 15 mil cabeças em Brasnorte com foco nos sistemas de cria e engorda. Ele revela ter contratado uma empresa de consultoria especializada para obter um controle mais eficiente dos custos.

“A gente vem vendo que ano a ano, mês a mês, principalmente nesse ano de 2022, a receita e o custo estão muito parecidos. Do começo do ano até hoje já perdemos na arroba do boi quase 24% de remuneração”, diz Telles Júnior.

Conforme Telles Júnior, na propriedade chegou-se a vender animais acima de R$ 320 a arroba e hoje está na faixa de R$ 240 a R$ 250 a arroba no Boi China.

“A gente vem usando, por exemplo, na engorda milho na média de R$ 63. Está ficando muito estreita a margem na engorda, principalmente que é onde tem levado boa parte do investimento e do custo. Vamos ter que repensar o negócio”.

Planejamento é a palavra de ordem

planejamento de estratégias para melhorar os resultados na pecuária de corte está sendo a palavra de ordem no momento.

Aldo Rezende Telles Júnior comenta que uma das alternativas é a intensificação da recria. “É uma parte do negócio que produz uma arroba com um custo mais baixo e repensar a engorda. A gente fica muito preocupado, porque como vamos manter engordando e terminando animais no semi-confinamento ou no confinamento? Então, fica muito difícil tem que escolher bem a categoria para levar para o cocho porque senão vai fechar no vermelho”.

Na propriedade da pecuarista Mariana Vilarindo Andrzejewski Matias o sinal de alerta também está ligado. Segundo ela, a rentabilidade está abaixo dos custos e não há expectativa de reação.

“O que está na terminação vamos manter, mas os animais que iriam entrar na terminação agora vamos segurar e soltar a pasto para ver como o mercado vai reagir. A nossa estratégia é até repensar a nossa linha de produção, diminuir o número de animais, ver se continuamos o ciclo completo ou se faz só cria ou só recria e engorda, para ver o que compensa mais na nossa realidade”, frisa Matias.

Cenário na pecuária pode trazer desestímulo

A situação, de acordo com o presidente do Sindicato Rural de Brasnorte, Cléber José dos Santos Silva, é considerada preocupante. O temor é que haja um desestímulo generalizado da atividade no município.

Atualmente, Brasnorte conta com um rebanho de aproximadamente 500 mil bovinos.

“Não tem nada que estimula hoje a pessoa aumentar o gado dentro do confinamento. A pecuária está bem desmotivada mesmo por falta de renda. Acredito que em um futuro a pecuária vai ter uma menor oferta tanto de bezerro quanto do próprio boi gordo”, salienta o presidente do Sindicato Rural de Brasnorte.

Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) pontua não acreditar em uma reação do mercado a curto prazo e recomenda cautela aos pecuaristas da porteira para dentro.

“No último trimestre, que sempre a gente espera os melhores preços da arroba, está completamente ao contrário. Nós estamos com preços de dois anos atrás. Nossos custos aumentaram. É uma incógnita. A gente não tem muita perspectiva. O que estamos orientando o produtor é refazer seus custos hoje e analisar bem o que vai fazer”, diz o presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior.