A avicultura transformou a vida da família Flizicoski em Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba (PR). Em 1986, dona Reni e seu Odemir construíram o primeiro galpão, ainda na época da ração no balde e do aquecimento a tambor. Hoje, a granja opera com quatro aviários climatizados e capacidade total de 166 mil aves por ciclo.
A mudança veio da coragem e do trabalho árduo. O filho mais velho, Éder — o Nego —, lembra que tudo começou na lavoura, até surgir a oportunidade com o aviário. “A gente acreditou e não desistiu”, relata. A técnica evoluiu, a escala aumentou e a união familiar foi fundamental para manter tudo funcionando.
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A trajetória também teve seus desafios. Em um inverno extremamente frio, com neve na região, os pintinhos enfrentaram problemas e começaram a morrer. O técnico Sérgio correu para a granja, tomou medidas rápidas e salvou o lote. A lição aprendida foi clara: preparo e prontidão fazem toda a diferença.
Do manual ao automatizado: tecnologia aliada
Nos anos 80, tudo era feito manualmente: ração carregada em balde, silo de madeira e telhas removidas para receber caminhões. Atualmente, painéis de ambiência, ventilação, aquecimento e silos automáticos garantem precisão e consistência. O manejo é guiado pelo comportamento das aves, e o produtor atua como gestor de processo, analisando dados, ajustando rotas e antecipando problemas.
A expansão veio com planejamento e parceria. A empresa integradora aprovou o projeto e a família construiu quatro galpões climatizados, transferiu a estrutura antiga e padronizou as condições de ambiência. O resultado foi uma capacidade dez vezes maior em relação ao aviário convencional da época inicial.
A rotina é dividida entre os membros da família. Nego vive ao lado da granja e supervisiona alojamentos e carregamentos. Sua irmã Ana cuida do painel e seu marido gerencia outro galpão. Dona Reni, próxima dos 80 anos, segue firme: “Eu amo o que faço. Ajusto comedouro, água e temperatura. O tempo passa voando dentro do aviário.”
Sucessão que acontece no dia a dia
A sucessão na empresa não foi imposta; ela nasceu do exemplo. A mãe lidera, os filhos respondem e os netos observam. “Quando pensamos em desistir, a mãe já está lá”, diz Ana. O técnico resume: a expansão só foi possível porque a família adquiriu competência antes de crescer.
Com organização, a granja opera dois núcleos e padroniza rotinas: vazio sanitário, cama, água, ventilação, luz e nutrição. A cada ciclo, a equipe revisa indicadores em busca de uma melhor conversão e menor mortalidade. O objetivo é simples e desafiador: “superar o desempenho do lote anterior”.
A gestão também evoluiu. A família controla as finanças, planeja compras, agenda manutenções e verifica os estoques. Treinamentos em parceria com a assistência técnica garantem um manejo adequado e o bem-estar animal. O foco na ambiência reduz o estresse térmico e protege o desempenho das aves.
Valores que sustentam o negócio no campo
Apesar do crescimento, os valores fundamentais permanecem inalterados. “Humildade, honestidade e trabalho” continuam sendo a base da empresa. Nego resume: “Moro em uma casa simples, ao lado da granja, e sou feliz assim. Aqui é o meu paraíso.”
Dona Reni, que iniciou tudo em 1986, expressa seu orgulho:
“Foi difícil, mas veja onde chegamos. Mais do que os bens, o que vale é a união familiar.”
Essa visão orienta as futuras decisões: investir com cautela, manter a equipe unida e continuar aprendendo constantemente.
Para quem observa de fora, a granja da família Flizicoski demonstra que tecnologia sem o elemento humano não é sustentável. E que o elemento humano sem método também não. Quando tradição, gestão e inovação caminham juntas, os resultados aparecem no lote, no bolso e, acima de tudo, na mesa farta daqueles que produzem o alimento do Brasil.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
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