O Projeto de Lei 5122/23, que estabelece novos mecanismos para a renegociação, anistia e refinanciamento de dívidas no setor rural, continua sua tramitação na Câmara dos Deputados, com a expectativa de que seja aprovado em breve pelas entidades agrícolas. Entretanto, essa espera tem levado os produtores a cometer erros de planejamento. Essa é a análise do advogado Leandro Amaral, especialista em crédito rural e cofundador do escritório Amaral e Melo.
Amaral observa que muitos agricultores estão adiando decisões cruciais relacionadas ao planejamento da próxima safra, como a aquisição de insumos, acreditando que as mudanças legislativas vão solucionar seus problemas financeiros. “Enquanto isso, as cobranças prosseguem e parte das dívidas que os afligem contém cláusulas que poderiam ser contestadas imediatamente”, destaca ele.
Esse alerta se torna ainda mais relevante diante da crescente pressão sobre o agronegócio. Um levantamento da Serasa Experian revelou que a inadimplência entre os trabalhadores rurais alcançou 8,2% ao final de 2025, enquanto as concessões de crédito rural e agroindustrial para pessoas físicas apresentaram uma queda de 17% no mesmo período.
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Esse contexto resulta em um número crescente de produtores que enfrentam dificuldades para obter novos financiamentos, aumentando os desafios para acessar recursos essenciais.
Embora Amaral considere que a proposta legislativa em discussão representa um avanço significativo para o setor agrícola, ele ressalta que ainda depende do trâmite legislativo e da vontade política. Assim, não resolve imediatamente os problemas enfrentados por aqueles que já estão sob pressão de instituições financeiras ou cooperativas de crédito.
“É compreensível que os produtores acompanhem a tramitação do projeto de lei com a esperança de novas oportunidades para renegociação. No entanto, essa espera não deve levar à inação. Cada operação financeira possui suas particularidades e frequentemente já existem instrumentos legais disponíveis para proteger as atividades rurais e evitar ações mais severas enquanto uma solução definitiva não é alcançada”, explica.
Além da negociação direta com os credores, Amaral menciona que há casos em que é viável contestar judicialmente procedimentos de cobrança, revisar cláusulas contratuais e verificar se todas as garantias legais foram respeitadas antes da adoção de medidas extremas, como a consolidação de garantias ou leilões.
Outro aspecto importante destacado por Amaral é que muitos produtores buscam orientação jurídica somente quando são notificados sobre possíveis leilões dos seus imóveis, um momento em que as opções costumam ser mais restritas.
“O ideal é que o produtor procure assistência logo nos primeiros sinais de dificuldades financeiras. Uma análise preventiva permite identificar alternativas para renegociação, detectar irregularidades nos contratos e desenvolver uma estratégia antes que o patrimônio esteja ameaçado”, conclui.
Para o especialista, o cenário atual reforça a necessidade de integrar planejamento financeiro com assessoria jurídica especializada. Além disso, deixa uma lição clara: é fundamental que os produtores conheçam os mecanismos disponíveis para lidar com endividamento e garantir a continuidade das suas atividades no campo sem depender exclusivamente da aprovação do projeto de lei.
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