A Polícia Civil de Roraima (PCRR) efetuou a prisão de quatro indivíduos suspeitos de estarem envolvidos em uma série de roubos que totalizam mais de R$ 23 milhões. Dentre os detidos, encontra-se um oficial investigador da própria corporação. Além disso, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e cerca de R$ 12 milhões em bens e valores dos investigados foram bloqueados judicialmente.
A operação, que aconteceu na sexta-feira, 21, contou com a participação da Corregedoria-Geral de Polícia (Corregepol), da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Controle Externo da Atividade Policial. As ordens judiciais foram executadas simultaneamente em Roraima e Florianópolis, Santa Catarina.
As investigações tiveram início em janeiro deste ano, após uma denúncia relacionada a um roubo. Durante as apurações, os policiais descobriram o uso irregular de uma viatura da Polícia Civil na execução dos crimes.
Após essa descoberta, os investigadores identificaram o oficial conhecido pelas iniciais M.H.A.S., de 51 anos, que utilizava o veículo para cometer os delitos. As investigações se aprofundaram e indicaram sua participação em pelo menos dois roubos ocorridos nos meses de janeiro e março.
Conforme revelou o delegado da Draco, Hugo Cardias, a seriedade e a complexidade do caso levaram a Corregepol a buscar suporte especializado para dar continuidade às investigações.
“O inquérito começou com a apuração de um roubo e durante as diligências foi identificado que uma viatura da Polícia Civil estava sendo usada nos crimes. Com isso, conseguimos identificar o policial responsável pelo uso do veículo e avançar nas investigações”, explicou Cardias.
Roubo de ouro e dinheiro
Em um dos casos investigados, os criminosos conseguiram levar cerca de 30 quilos de ouro além de R$ 800 mil em dinheiro vivo. À medida que as investigações progrediram, as equipes conseguiram desvendar a dinâmica das ações criminosas e coletar evidências que fundamentaram os pedidos judiciais.
Além do policial civil envolvido, também foram presos R.C.P., cunhada do investigador, G.S.S., e I.L.B.G., este último encontrado em Florianópolis.
Policial enfrenta acusação por fraude processual
Durante a execução de um dos mandados, os agentes flagraram o oficial investigador tentando danificar seu próprio celular. Como consequência, ele foi autuado em flagrante por fraude processual.
Apesar da fiança fixada pela Corregepol, o investigado não pagou o valor estipulado e permanece à disposição das autoridades judiciais.
Justiça bloqueia R$ 12 milhões em bens
A Justiça determinou o bloqueio aproximado de R$ 12 milhões em bens e valores relacionados aos suspeitos. Segundo informações da Polícia Civil, essa ação visa garantir que patrimônios associados aos crimes sejam preservados durante as investigações.
“O bloqueio foi autorizado judicialmente com base nas provas coletadas durante as investigações e é parte das estratégias adotadas para assegurar os valores possivelmente associados aos delitos”, afirmou Hugo Cardias.
A delegada-geral da Polícia Civil de Roraima, Simone Arruda, informou que procedimentos administrativos também foram abertos contra o policial investigado, assegurando seu direito ao contraditório e à ampla defesa.
“A Polícia Civil atua sem distinções na investigação de possíveis crimes. O processo segue critérios rigorosos independentemente do indivíduo envolvido. No caso dos servidores públicos envolvidos, medidas administrativas são implementadas além das apurações criminais”, destacou Arruda.
A delegada também ressaltou que as investigações continuam para esclarecer detalhadamente a participação dos suspeitos nos roubos, suas dinâmicas e possíveis conexões com outras pessoas no esquema criminoso. Além disso, foi informado pela Polícia Civil que não haverá novos detalhes divulgados neste momento para não interferir no andamento das apurações.
