segunda-feira, 22 de junho de 2026
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Aconteceu

Semana Global da Alergia enfatiza a importância da prevenção e do diagnóstico correto

Estudos da Organização Mundial de Alergia (WAO) revelam que 30% da população global apresenta algum tipo de alergia, uma situação que também se reflete no Brasil.

De acordo com Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), os alérgicos no Brasil formam “uma multidão, um país dentro de outro”.

“Existem diversas doenças provocadas por uma alteração no sistema imunológico, que reage de maneira exagerada a certos estímulos, resultando em inflamações”, declarou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que até o ano de 2050, a metade da população mundial poderá sofrer com alergias, influenciadas pelas alterações climáticas que facilitam a entrada de alérgenos no organismo.

No Brasil, aproximadamente 30% da população é atingida pela rinite alérgica. Para as crianças, esse percentual é de cerca de 26%, enquanto entre os adolescentes, sobe para 30%, conforme dados do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISSAC), realizado em diversas regiões do país.

Outro problema significativo é a asma alérgica, que impacta cerca de 20% dos brasileiros. Globalmente, essa condição afeta aproximadamente 260 milhões de pessoas e causa anualmente mais de 450 mil mortes. Os principais sintomas incluem dificuldade para respirar, chiado no peito, tosse persistente e sensação de cansaço ou dor no peito, especialmente após esforço físico ou até mesmo durante conversas e risadas.

A dermatite atópica também apresenta um impacto considerável na qualidade de vida. Essa condição crônica não contagiosa afeta indivíduos em todas as idades e atinge especialmente as crianças – cerca de 20% delas – sendo que 5% apresentam formas mais severas.

Estima-se que cerca de 60% dos casos se manifestem no primeiro ano de vida. Entre adultos, a prevalência é em torno de 3%. A coceira intensa e as lesões cutâneas podem levar os pacientes a experimentar ansiedade e até depressão, segundo informações da Asbai.

Campanha

A Semana Mundial da Alergia será realizada entre os dias 21 e 27 deste mês. Organizada pela WAO e pela Asbai no Brasil, a campanha tem como objetivo promover a prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças alérgicas, cuja incidência cresce anualmente. O tema desta edição é Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial, reforçando a importância da saúde familiar.

Fátima exemplificou com a rinite, uma das alergias mais comuns. Os sintomas incluem coceira nos olhos ou nariz, espirros frequentes, coriza e congestão nasal sem resfriado associado.

“A pessoa acaba dormindo com a boca aberta e não percebe que isso prejudica seu sono. Ela se habitua à situação e acredita que é normal. No entanto, isso não é verdade”, afirma Fátima. “Ao cuidar-se adequadamente, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida.”

Com o início do inverno no Hemisfério Sul coincidindo com a campanha, a entidade aproveita para alertar sobre os sintomas das doenças alérgicas e incentivar a busca por médicos especialistas – alergistas ou imunologistas – para o controle dessas condições.

A especialista explicou que geralmente as alergias têm um componente genético e são tratáveis, embora não haja cura completa. “Com o tratamento adequado, o paciente pode viver sem sintomas”, destacou. O primeiro passo envolve identificar o tipo específico de alergia e o alérgeno responsável pelo problema antes de iniciar o tratamento apropriado.

A campanha incluirá entrevistas com especialistas disponíveis no site da Asbai e nas redes sociais da entidade. Além disso, eventos presenciais serão realizados em várias regionais do Brasil para demonstrar como são feitos os exames para diagnosticar alergias e responder às dúvidas do público.

Testes

Como recomendação geral, Fátima ressaltou a importância do reconhecimento dos sintomas por parte dos pacientes. Ela citou especificamente a asma como uma condição preocupante nesta época do ano. “Os prontos-socorros ficam lotados com crianças, adolescentes e idosos enfrentando problemas respiratórios. A asma pode ser muito grave e colocar em risco a vida do paciente.”

No inverno, aqueles com problemas respiratórios devem buscar orientação médica especializada para diagnósticos precisos. O diagnóstico pode ser realizado através de testes alérgicos na pele ou por meio da coleta sanguínea do paciente.

A presidente da associação enfatizou que independentemente do tipo de teste realizado, ele é fundamental para identificar as causas das alergias e prevenir novos episódios sintomáticos. Isso prepara o paciente para manejar melhor sua condição e ter uma vida mais saudável.

“O essencial é diagnosticar corretamente para permitir que o indivíduo tenha uma vida normal ao invés de ficar isolado”, afirmou.

Além das alergias respiratórias mencionadas anteriormente, Fátima também abordou as alergias alimentares que podem causar reações graves; assim como dermatites que podem se manifestar em formas severas limitando as atividades diárias; além das urticárias que geram grande desconforto aos pacientes.

A campanha também busca dar atenção aos familiares dos alérgicos. Uma vez que muitas vezes essas condições são hereditárias, as famílias tendem a cuidar apenas das crianças alérgicas sem considerar os cuidados necessários para adultos afetados por rinite ou asma.

Fátima sugeriu que todos os membros da família sejam incluídos nos tratamentos: “Quando falamos sobre alergia, estamos tratando não só o paciente; mas toda a família deve estar envolvida nesse cuidado. Por exemplo: a alergia ao pó doméstico afeta todos na casa devido à exposição comum. Portanto, devemos cuidar do ambiente familiar coletivamente para melhorar a qualidade geral de vida.”

Orientações

A ASBAI oferece algumas orientações visando garantir uma melhor qualidade de vida:

  • O diagnóstico não deve ser visto como um fim; ele marca o início do controle. Seguir rigorosamente o tratamento prescrito previne crises graves;
  • Sintomas como tosse persistente, espirros frequentes e coceira na pele não devem ser desconsiderados; podem indicar alergias ainda não diagnosticadas;
  • Alergia é uma condição séria; não deve ser tratada como “frescura”. Consultar profissionais capacitados é essencial para proteger sua saúde;
  • O tratamento vai além dos medicamentos; controlar poeira e ácaros no ambiente doméstico faz parte fundamental desse cuidado.

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