O agronegócio segue em movimento constante, e o mais recente episódio do Radar Rural apresenta uma análise detalhada dos assuntos que estão agitando os bastidores do setor — desde a política fiscal que inquieta os produtores até as narrativas de superação que agradam ao mercado internacional.
Com a apresentação de Beatriz Gunther e Victor Faverin, o programa é transmitido inicialmente no YouTube, às sextas-feiras, às 15h. Também pode ser assistido na tela do Canal Rural aos sábados, às 9h15, e às segundas-feiras, às 11h30.
Confira o episódio completo:
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Corte de R$ 461 milhões no seguro rural gera preocupações no setor
A incerteza climática aumenta a apreensão entre os produtores brasileiros. O governo federal anunciou um corte de R$ 461,7 milhões no Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR). Com isso, a verba destinada ao programa caiu drasticamente de R$ 1,1 bilhão para apenas R$ 638 milhões.
Esse corte chega em um momento crítico, próximo ao lançamento do Plano Safra e diante da confirmação do fenômeno El Niño. Em conversa com o Canal Rural, Pedro Loyola, coordenador do Observatório de Crédito Rural e Seguro Rural da FGV Agro, destacou que essa decisão transmite “sinais contraditórios” para o mercado.
“Duas semanas antes, o governo afirmou que o seguro seria prioridade no Plano Safra. Agora, recebemos um corte tão significativo. Isso diminui a previsibilidade para produtores e seguradoras, criando um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos”, observou Loyola.
Os efeitos desse desinvestimento são visíveis: a área segurada no Brasil caiu de quase 14 milhões de hectares em 2021 para apenas 3,2 milhões atualmente. Esse número representa menos de 5% da área produtiva do país, enquanto países como os Estados Unidos protegem até 90% de sua produção através de políticas públicas eficazes.
Setor de proteína animal reage ao embargo da União Europeia com foco em rastreabilidade
Outro assunto relevante em pauta é a pressão exercida pela União Europeia sobre os produtos animais brasileiros devido às restrições relacionadas ao uso de antimicrobianos. Para preservar a credibilidade do país nesse segmento, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) se uniram para enviar um documento ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As associações solicitam a proibição adicional de três substâncias antibióticas (enramicina, avilamicina e flavomicina), além das restrições já em vigor quanto ao ácido fosfônico. O setor argumenta que essas substâncias não são utilizadas na cadeia exportadora atual e que o grande desafio é a comunicação eficaz sobre as medidas de fiscalização com o bloco europeu.
Uma rápida adaptação é crucial para evitar repercussões em outros mercados internacionais, como o Reino Unido, visto que a União Europeia estabelece tendências globais em normatização.
Chaco paraguaio: uma nova fronteira agrícola emergente
O Radar Rural também explora as fronteiras agrícolas com um olhar sobre o Chaco paraguaio, uma região que se destaca como uma nova promessa na produção de grãos na América do Sul. Segundo um estudo recente da StoneX, a safra de soja do Paraguai está projetada para alcançar 12,3 milhões de toneladas devido aos altos índices produtivos locais.
Algumas propriedades no Chaco já conseguem produzir até 4 toneladas de soja por hectare, atingindo níveis comparáveis aos da Bahia — estado brasileiro reconhecido pela alta tecnologia e irrigação avançada. Essa região também se estende pela Argentina e Bolívia e tem potencial para transformar a competitividade do Mercosul nos próximos anos.
Do desprezo ao reconhecimento: evolução histórica do café Caparaó
Para encerrar este episódio com uma nota positiva, uma reportagem especial foi realizada em Gramado (RS), onde importantes Indicações Geográficas (IG) do Brasil se reuniram. A história inspiradora dos agricultores do café da região Caparaó foi destaque. Anteriormente considerado “um dos piores cafés do Brasil” devido à colheita irregular em altitudes elevadas, esta área deu uma reviravolta impressionante.
Com apoio do Sebrae e reformulação das práticas tradicionais de secagem, os produtores obtiveram a Denominação de Origem.
E qual foi o resultado? No último prêmio Coffee of the Year, Caparaó conquistou 8 das 10 medalhas disponíveis.
Além da história do café premiado, o episódio revela ainda os segredos da banana mais doce do Brasil (que leva até um ano e meio para amadurecer na Serra Catarinense) e as estratégias adotadas pelos vitivinicultores brasileiros para lidar com o acordo Mercosul-União Europeia focando oportunidades no mercado do Leste Europeu.
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