A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) ampliou sua atuação na cafeicultura nacional ao obter o registro de três novas cultivares de café conilon no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As variedades Caxixe, Aimorés e Leve L80, pertencentes à espécie Coffea canephora, também conhecida como robusta, foram oficialmente registradas.
Com a inclusão dessas novas cultivares, a Ufes alcança um total de dez variedades cadastradas no Registro Nacional de Cultivares (RNC), destacando-se como a única instituição acadêmica do Brasil com essa responsabilidade no setor cafeeiro.
As cultivares desenvolvidas são fruto de extensas pesquisas realizadas pela universidade, que visam aprimorar aspectos que podem aumentar a competitividade da cafeicultura brasileira. Entre os focos estão a adaptação às mudanças climáticas e a diminuição do teor de cafeína.
O professor Fábio Luiz Partelli, responsável pelos programas de Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Genética e Melhoramento na Ufes, é o líder dos estudos. As pesquisas ocorrem no Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), localizado em São Mateus.
Partelli enfatiza que cada cultivar traz inovações significativas para o setor cafeeiro. Ele menciona que “a Caxixe se destaca por ser resistente ao frio, uma característica inédita para regiões montanhosas no Espírito Santo. A Aimorés é a pioneira em Minas Gerais, enquanto a Leve L80 é a primeira cultivar com baixo teor de cafeína registrada. Esses avanços oferecem vantagens diretas tanto para os produtores quanto para o mercado”, afirma.
Cultivar adaptada ao frio
A cultivar Caxixe foi registrada recentemente, no dia 8 de junho. Este material foi desenvolvido após a seleção de cinco genótipos que se adaptam bem a temperaturas mais baixas.
Os testes foram realizados na comunidade Alto Caxixe, situada em Venda Nova do Imigrante, na região serrana do Espírito Santo, com uma altitude aproximada de 1.100 metros. A pesquisa contou com a colaboração do Grupo Khas e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
Primeira cultivar de café para Minas Gerais
A Aimorés recebeu seu registro em 21 de maio e foi criada especialmente para atender as condições climáticas da região leste de Minas Gerais.
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Essa cultivar é composta por seis genótipos ajustados às particularidades climáticas e produtivas da área. Os experimentos foram realizados em colaboração com produtores locais, Emater-MG, além do suporte da Fapes.
Conilon com menos cafeína
Dentre as novas cultivares registradas, a Leve L80 se destaca pelo seu baixo teor de cafeína, uma característica rara entre as variedades conilon.
Esta cultivar apresenta apenas 1,33 grama de cafeína por 100 gramas de café, um índice aproximadamente 30% inferior ao que é normalmente encontrado em outras variedades da espécie.
Partelli ressalta que essa característica abre novos horizontes comerciais. “Trata-se de um café conilon com teor de cafeína ligeiramente superior ao do café arábica. Isso representa um potencial significativo para consumidores que preferem bebidas com menor concentração desse estimulante”, explica.
O desenvolvimento da Leve L80 foi realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também contou com o apoio da Fapes.
Pesquisa que gera inovação
Além dos impactos diretos na produção agrícola, as pesquisas promovem também a formação de novos profissionais e pesquisadores na área. Segundo Partelli, esses projetos resultam em publicações científicas relevantes nacionalmente e internacionalmente, além de contribuírem para a formação acadêmica dos alunos nos níveis graduação, mestrado e doutorado.
As atividades relacionadas ao melhoramento genético continuam avançando. A equipe prevê solicitar registros adicionais para mais duas novas cultivares até 2026, abrangendo materiais híbridos e plantas altas adaptadas às realidades do Espírito Santo e Bahia.
Os resultados dessas investigações serão apresentados durante o 15º Simpósio do Produtor de Conilon, organizado pela Ufes em São Mateus no dia 26 de novembro. Com esses novos registros cultivais, a universidade reafirma o papel destacado do Espírito Santo no desenvolvimento tecnológico voltado à cafeicultura e amplia as oportunidades para os produtores em busca de maior produtividade e diferenciação no mercado.
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