O aumento das tensões no Oriente Médio e o consequente aumento do petróleo voltaram a ser o foco do mercado internacional de soja nesta semana. O cenário geopolítico acabou ofuscando os impactos do novo relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da revisão da safra brasileira divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Com poucas mudanças significativas nos dados apresentados pelos dois órgãos, o mercado interno permaneceu cauteloso. Apesar da recuperação nos preços na Chicago Board of Trade (CBOT), os produtores continuam focados no andamento dos trabalhos no campo e esperam por preços mais atrativos antes de fechar novos negócios.
De acordo com o relatório de março do USDA, a safra de soja dos Estados Unidos em 2025/26 foi mantida em 4,262 bilhões de bushels, o que equivale a cerca de 116 milhões de toneladas. A produtividade média permanece estimada em 53 bushels por acre, repetindo as projeções de fevereiro.
Os estoques finais nos Estados Unidos também permaneceram inalterados, estimados em 350 milhões de bushels, ou cerca de 9,53 milhões de toneladas. O número ficou um pouco acima das expectativas do mercado, que previam um carryover de 343 milhões de bushels.
No cenário global, o USDA projetou a produção mundial de soja em 427,18 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma leve redução em relação às 428,18 milhões previstas no relatório anterior. Já os estoques finais globais foram estimados em 125,31 milhões de toneladas, um pouco acima das expectativas do mercado.
Para o Brasil, o USDA manteve a estimativa de produção em 180 milhões de toneladas para 2025/26. A colheita da Argentina foi projetada em 48 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da previsão anterior. As importações da China devem chegar a 112 milhões de toneladas no próximo ciclo.
Conab
No Brasil, a Conab também apresentou poucas alterações em relação ao levantamento anterior. A estatal estima uma produção de 177,847 milhões de toneladas na safra 2025/26, um crescimento de 3,7% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.
A área cultivada deve atingir 48,43 milhões de hectares, um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior. A produtividade média está prevista em 3.672 quilos por hectare, ligeiramente acima do rendimento da temporada passada.
Apesar do cenário de oferta relativamente estável, o mercado continua focado na situação energética internacional. A valorização do petróleo pode afetar os custos logísticos, os combustíveis e o mercado de biocombustíveis, fatores que podem impactar diretamente nos preços da soja nas próximas semanas.
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