A Polícia Civil do Roraima (PCRR), através da Delegacia de Defesa da Infância e Juventude (DDIJ), finalizou uma investigação nesta quarta-feira, dia 6, voltada para o combate a crimes de ódio. O trabalho resultou na identificação e responsabilização de dois adolescentes por atos infracionais relacionados à injúria racial e preconceito religioso contra um estudante de 17 anos em uma escola pública de Boa Vista.
A situação envolve uma série de perseguições, humilhações e ataques discriminatórios motivados pela religião de matriz africana praticada pela vítima.
O delegado da DDIJ, Leonardo Strunz, informou que as investigações começaram após a família da vítima registrar uma denúncia formal em outubro de 2025. Isso ocorreu após meses de agressões psicológicas e verbais enfrentadas pelo jovem no ambiente escolar.
“Esse adolescente vinha sendo alvo constante de perseguições desde junho de 2025. Em outubro, as ofensas alcançaram um grau extremamente grave, caracterizando claramente injúria racial com base religiosa. A equipe da DDIJ trabalhou com rigor técnico para assegurar a responsabilização dos envolvidos”, declarou Strunz.
Desdobramentos das investigações
No dia 10 de outubro de 2025, durante o intervalo na Escola Estadual situada no bairro Jóquei Clube, os adolescentes teriam agredido verbalmente a vítima com termos pejorativos como “Zé Pilintra” e “Anticristo”, com a intenção de ridicularizar suas crenças religiosas.
Conforme o delegado, as evidências coletadas foram fundamentais para a finalização do inquérito.
“Este não era um caso isolado. Conseguimos reunir depoimentos relevantes, relatórios pedagógicos, atas escolares e registros oficiais que evidenciaram um histórico contínuo de bullying, discriminação e violência psicológica. A vítima estava emocionalmente abalada e já havia solicitado ajuda à escola devido ao sofrimento causado pelas agressões”, comentou Strunz.
Dentre os principais elementos que contribuíram para a investigação, destacaram-se os testemunhos colhidos, documentos da orientação escolar e do conselho educacional, além do histórico disciplinar dos adolescentes envolvidos. Um deles foi identificado como recorrente em práticas graves de indisciplina na instituição.
“A investigação também revelou que a escola implementou medidas administrativas, incluindo mediações e transferência obrigatória dos autores, colaborando plenamente com a Polícia Civil durante todo o processo investigativo”, acrescentou o delegado.
No contexto da legislação que equipara a injúria racial ao crime de racismo — tornando-a imprescritível e inafiançável — o procedimento foi concluído. O Ministério Público de Roraima (MPRR) agora será responsável por analisar as medidas socioeducativas apropriadas para o caso.
“O espaço escolar deve ser protegido como um ambiente de educação, respeito e diversidade. Crimes dessa natureza requerem respostas imediatas não apenas para punir os responsáveis, mas também para promover educação e evitar que práticas discriminatórias continuem ocorrendo”, enfatizou o delegado.
Fonte: Da Redação
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