No Brasil, onde o futebol é uma paixão nacional, muitos jovens sonham em se tornar jogadores profissionais. Este é o caso de Arthur Rosseto, que, ainda na adolescência, decidiu deixar sua cidade natal, Mandaguari, localizada no interior do Paraná, para buscar uma carreira no esporte longe de sua família. Ele passou pelas categorias de base e alcançou o time principal da Chapecoense, além de ter defendido outras equipes ao longo de sua trajetória.
Ao longo de cerca de dez anos, entre os 14 e 24 anos, Arthur viveu distante de seus familiares devido ao futebol. Com o tempo, ele percebeu que o sonho que tanto almejou já não refletia suas aspirações atuais.
Em 2024, ao decidir se afastar dos campos, Arthur descreveu sua escolha como uma “pausa” na carreira. No entanto, dois anos depois, essa incerteza se dissipou.
“Com o tempo percebi que voltar ao futebol não era mais uma opção viável para mim”, declara ele.
Agora com 26 anos, o ex-goleiro abandonou a rotina dos clubes para se dedicar à produção do café familiar. Hoje ele auxilia seu avô e tio nas atividades da propriedade rural e colabora na gestão da marca Sítio Helena ao lado da irmã e do tio. Além disso, treina para competições de triatlo e compartilha suas experiências com mais de um milhão de seguidores no Instagram.
Seu retorno às origens também simboliza a continuidade de uma tradição familiar que já se estende por seis gerações ligadas à produção cafeeira.
“Meu tataravô iniciou com um pequeno cafezal e a produção foi crescendo ao longo do tempo. Agora cheguei à sexta geração”, conta ele.
De menino acima do peso a goleiro profissional
Curiosamente, Arthur não ingressou no futebol com a intenção de se tornar um atleta profissional. Quando era criança, seu objetivo era perder peso.
“Eu era um pouco acima do peso na infância. Comecei a praticar esportes para emagrecer e acabei indo para o gol. Meu pai até ficou chateado porque achou que eu deveria apenas emagrecer”, relembra.
O que começou como uma atividade física logo evoluiu para algo maior. Participações em campeonatos municipais e regionais surgiram, seguidas pelo Campeonato Paranaense de futsal e pela transição para o futebol de campo aos 14 anos.
Sua primeira equipe foi o Laranja Mecânica. Aos 15 anos, Arthur deixou sua casa e passou a viver em alojamento em Minas Gerais.
Posteriormente, ele integrou a Chapecoense até 2021 como parte do elenco profissional. Embora não tenha jogado na equipe principal, foi convocado para partidas e fez parte do grupo que conquistou a Série B. “Praticamente toda minha carreira foi na Chape”, resume ele.
Depois disso, atuou pelo São Caetano no Campeonato Paulista e na Copa Paulista antes de encerrar sua trajetória no futebol.
‘Eu já não me sentia muito feliz no futebol’
A decisão de parar não ocorreu devido à falta de oportunidades. Arthur afirma que ainda tinha capacidade para continuar jogando quando decidiu mudar seu rumo profissional; o que havia mudado era sua visão sobre a carreira.
“Eu já não me sentia feliz no futebol. Sabia que não seria um jogador capaz de atuar na Série A do Campeonato Brasileiro ou ganhar dinheiro suficiente para sustentar minha vida apenas com isso. Eu tinha potencial como jogador, mas sabia que não chegaria à elite”, diz ele.
A distância da família também pesava em sua decisão. Arthur estima ter passado quase dez anos longe dos seus entes queridos enquanto seus familiares precisavam de ajuda na propriedade rural em Paraná; seu avô tem quase 80 anos e seu tio também estava envolvido nas atividades agrícolas.
“Vivi sozinho dos 14 aos 24 anos, sem conseguir ir frequentemente para casa por conta da rotina intensa do futebol. Estava cansado e esgotado. Minha família precisava da minha ajuda no sítio também; foi uma escolha prática.”
Na época em que anunciou sua saída do esporte profissional, evitava usar o termo aposentadoria. “Disse que estava fazendo uma pausa porque ainda não tinha certeza se realmente havia me aposentado. Não queria fechar as portas para o futebol.”
Com o passar do tempo, essa dúvida desapareceu. Hoje em dia, Arthur afirma não sentir saudades dos campos e acredita ter realizado tudo o que desejava durante sua passagem pelo esporte.
“Decidi parar sabendo que poderia ainda jogar; não foi por falta de clubes ou condições financeiras. Foi uma escolha pessoal por algo que me trazia mais felicidade.”
Do futebol ele guarda lições valiosas: “Sou muito grato porque acredito que essa experiência me proporcionou ensinamentos únicos.”
O retorno às origens
Embora deixar o futebol fosse uma escolha consciente, encontrar um novo caminho levou algum tempo. Desde o final de 2023, enquanto ainda jogava, Arthur já produzia conteúdo online; naquela época focava em receitas e tendências das redes sociais sem abordar sua rotina nos clubes.
Após sair definitivamente do futebol, decidiu intensificar seu trabalho virtual. Porém, sentiu falta de algo em sua nova rotina.
“Passei um mês tentando gravar conteúdo sem ter uma rotina definida e comecei a me sentir mal; nunca estive acostumado a ficar em casa sem compromissos diários”, explica.
A resposta veio quando voltou suas atenções à propriedade rural onde cresceu: passou a trabalhar ativamente no sítio e envolveu-se com a marca Sítio Helena, que já existia em pequena escala na família. “Descobri meu propósito dentro da nossa fazenda.”
Arthur destaca uma distinção importante sobre suas funções: enquanto ajuda seu avô e tio nas atividades rurais familiares, é sócio junto com sua irmã e tio Ronaldo na marca Sítio Helena.
“Na fazenda ajudo em várias funções; porém dentro da Sítio Helena – marca e torrefação – sou eu junto com minha irmã e meu tio.”
Embora a marca já existisse antes dele se juntar ao projeto – atuando principalmente localmente – Arthur trouxe experiências prévias adquiridas em outro negócio anterior no setor têxtil que fracassou em 2021 enquanto ainda era jogador.
Em vez de esconder esse insucesso empresarial anterior, ele utilizou as lições aprendidas para evitar cometer os mesmos erros novamente: “Quando entrei neste novo empreendimento já sabia quais caminhos evitar por conta da falência da minha primeira empresa.”
Das lavouras para as redes sociais
Arthur não divulga informações sobre os rendimentos da empresa mas menciona um crescimento contínuo nas vendas desde as mudanças implementadas na marca; quando questionado sobre os fatores desse avanço responde prontamente: “Marketing é fundamental.”
Contudo ele enfatiza que isso vai além da simples publicidade: trata-se também de compartilhar sua rotina pessoal mostrando aos consumidores a origem do café até chegar às suas xícaras.
“A conexão entre Sítio Helena e Arthur Rosseto como produtor rural é nosso maior diferencial no crescimento.”
Arthur observa uma desconexão existente entre muitos consumidores e as origens dos alimentos disponíveis nas prateleiras:
“As pessoas estão acostumadas a ver os produtos prontos nas gôndolas mas desconhecem todo processo envolvido na produção – desde as etapas até os motivos pelos quais alguns itens custam mais ou menos.”
É exatamente essa lacuna que ele busca preencher através das redes sociais: mostra desde a colheita até o processamento do café permitindo aos consumidores perceberem além do produto embalado – entendendo toda história por trás dele. p >
“O cliente que adquire Sítio Helena conhece quem está por trás da marca; sabe como seu café é torrado assim como entenderá todo processo pelo qual passou até chegar à mesa.” p >
Citando inclusive as reações dos clientes frente às variações nos preços: “Quando aumentamos os preços das vendas não observamos quedas significativas porque nossos consumidores estão informados sobre os motivos.” p >
Para Arthur isso representa uma oportunidade pouco explorada dentro dessa indústria: “Essa relação entre produtor rural e produto final é nosso principal fator propulsor.” p >
De produtor rural a influenciador h2 >
A presença digital da marca cresceu juntamente com Arthur tornando-se influenciador; entretanto ele esclarece que essa sinergia entre café , esportes , cotidiano , resultou naturalmente sem planejamento prévio . “Foi tudo espontâneo; comecei postando aquilo que vivia.” p >
O esporte continua presente pois sempre fez parte integrante dele ; bem como café surgiu naturalmente devido ao trabalho . Situações cotidianas também permeiam seus vídeos . p >
“Nunca pensei: ‘Vou ser triatleta pois isso atrairá seguidores’, nem ‘Vou ser produtor rural porque isso gerará conteúdo’. Tudo fluiu integradamente.” p >
Uma dica valiosa recebida logo no início dessa trajetória ajudou definir abordagem dele : “Um mentor mencionou : ‘Arthur , você deve simplesmente registrar sua vida ; há quem irá se identificar.’ ” p >
Embora nenhuma publicação específica tenha impulsionado seu perfil , destaca um elemento essencial : constância . p >
A exposição e o peso de falar para milhões h2 >
O crescimento trouxe também desafios conhecidos por Arthur desde seus tempos como jogador : críticas . Durante sua carreira , conta ter sido questionado por torcedores sobre produção conteúdos enquanto perdia jogos . p >
“Isso me desgastava um pouco pois torcida exerce grande pressão.” p >
Agora fora dessa pressão direta , continua exposto ao público . p >
“As pessoas podem ser cruéis; se você permitir comentários negativos afetarem você , acaba parando tudo . Eu tento evitar ler críticas ; quando vejo comentários desagradáveis , saio imediatamente.” п-класс >
Por outro lado , essa visibilidade trouxe maior responsabilidade sobre suas publicações . п-класс >
“Sempre digo que internet requer responsabilidade ; hoje compreendo impacto das minhas ações sobre aqueles que seguem meu trabalho.” п-класс >
Para Arthur isso implica reconhecer diversidade entre seus seguidores , abrangendo diferentes faixas etárias . п-класс >
“Tem pessoas diversas nos acompanhando ; portanto carrego grande responsabilidade quanto ao conteúdo gerado.” п-класс >
Paixão pelo esporte h2 >
Embora tenha deixado formalmente o futebol , Arthur decidiu continuar ligado ao esporte . Atualmente pratica triatlo preparando-se para competir num Ironman completo em Cozumel , México ; além disso já participou ultramaratona com percursos desafiadores . п-класс >
Conciliar treinamento rigoroso com responsabilidades agrícolas , empresariais , bem como produção conteúdos apresenta enormes desafios . “É extremamente complicado manter esse equilíbrio.” п-класс>
Os dias são repletos dedicados tanto às atividades rurais quanto empresariais seguidos pela edição vídeos ; fins semana incluem longos treinos podendo durar até sete horas somados corridas extensivas posteriores . п-класс>
Apesar disso acredita disciplina adquirida através treinamento impacta positivamente seu desempenho profissional : “O exercício físico traz disciplina essencial ; durante ciclos intensivos consigo render melhor laboralmente”. п-класс>
Sua agenda funciona quase como cronometragem precisa : “Se reunião marcada oito horas será cumprida pontualmente ; cada compromisso deve ser respeitado rigorosamente”. п-классы>
O custo dessa dedicação aparece especialmente durante descanso : “Muitas horas dedicadas treino resultam poucas horas sono”. п-классы>
Para suportar preparação conta suporte profissional nutricional apropriado . п-классы>
‘Quero ser a maior marca de café artesanal do Brasil’ h2 >
Ao decidir deixar carreira no futbol parte motivação surgiu percepção clara acerca futuro promissor sonhado nessa área ; agora estabelecendo metas ambiciosas voltadas café : “Almejo ser referência nacional nesse segmento”. п-class>
Objetivo abrange expandir atuação comercial pela região além planos futuros internacionalização marcas produções locais mantendo controle total processos produtivos conforme cresce demanda mercado consumidor crescente localmente . п-class>
Deseja ampliar terras cultiváveis garantindo utilização insumos próprios sempre assegurando qualidade sob condições produzidos através métodos tradicionais familiares garantindo autenticidade produtos oferecidos aos clientes finais .”
