Em 1994, os pais de Viviane Usinger tomaram uma decisão ousada ao iniciar a construção de uma granja de suínos em Arabutã, no Oeste de Santa Catarina. Na época, muitos duvidaram da viabilidade do empreendimento, já que a família enfrentava dificuldades financeiras com o cultivo de milho e soja e a suinocultura ainda era uma atividade pouco explorada na região.
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“Quando meu pai deu início a tudo isso, muitos o consideraram louco. Era a primeira granja dessa dimensão na nossa área”, recorda Viviane.
Mais de trinta anos depois, essa aposta se consolidou e evoluiu com inovação tecnológica e novas abordagens gerenciais. A propriedade, que inicialmente contava com cerca de 500 matrizes sob a gestão de Viviane, hoje abriga 1.500 suínas. A granja passou por expansões significativas, incluindo climatização e automação, além de empregar dez pessoas.
Atualmente, a família se prepara para um novo capítulo: a entrada da terceira geração à frente do negócio.
Bruno, filho de Viviane e neto dos fundadores do empreendimento, já se envolve nas atividades da granja enquanto estuda Agronomia e participa de um curso focado na sucessão rural. A expectativa é que ele continue o legado deixado pelos avós.
“Espero que o Bruno assuma o negócio no futuro. Não será algo imediato, mas acredito que sua experiência ao meu lado será valiosa para sua formação como sucessor”, afirma Viviane.
Uma decisão marcada por dívidas e incertezas
Antes de ingressar no ramo da suinocultura, a situação da família era bem diferente. Os pais de Viviane dedicavam-se ao cultivo de milho e soja, mas diante das dificuldades enfrentadas na agricultura decidiram explorar uma nova fonte de renda.
A criação de leitões surgiu como uma alternativa promissora; no entanto, o investimento necessário para implementar essa ideia era considerado alto para a realidade familiar.
O capital inicial não foi suficiente para finalizar as obras da granja.
Com a chegada do inverno sem estar totalmente preparada, a família sofreu perdas significativas com os animais e precisou buscar mais recursos para concluir as instalações.
“Foi um período complicado. O inverno chegou e meu pai ainda não havia terminado a construção da granja; muitos animais foram perdidos naquela fase”, relembra Viviane.
A empresa parceira auxiliou na obtenção de novos financiamentos. Gradualmente, o negócio começou a prosperar.
Entretanto, esse modelo exigia grande responsabilidade financeira. A família tinha que arcar com todas as despesas relacionadas à compra dos animais, alimentação e medicamentos essenciais para manter as operações.
Apesar das dificuldades iniciais, o sucesso da primeira unidade possibilitou posteriormente a construção de uma segunda granja.
O financiamento inicial levou anos para ser quitado; segundo Viviane, essa dívida foi saldada em 2018, coincidentemente quando ela assumiu oficialmente o comando do negócio.
‘Era difícil até pagar a conta de luz’
O crescimento atual contrasta fortemente com os desafios enfrentados nos primeiros anos do empreendimento.
Viviane lembra que ela e sua irmã precisaram trabalhar fora enquanto estudavam. Em determinados momentos, os lucros da suinocultura não eram suficientes nem para cobrir os custos com eletricidade da granja.
“Naquela época não sobrava dinheiro nem para pagar a conta de luz”, revela ela.
Bruno cresceu ouvindo essas histórias e observando o esforço da família. Para ele, a colaboração mútua foi fundamental para manter o negócio ativo.
“Minha mãe e minha tia tiveram que buscar emprego fora durante esse período apenas para manter as contas em dia. Assim, cada membro contribuiu decisivamente para o crescimento do nosso negócio familiar”, explica ele.
O jovem destaca como exemplo inspirador a coragem dos avós em mudar seu modelo operacional e investir em um novo ramo.
“A ousadia deles em sair daquela zona de conforto e fazer um grande investimento é algo que demanda muita determinação”, afirma Bruno.
De filha de produtores à gestora de 1.500 matrizes
A transição do controle do negócio para Viviane também trouxe consigo uma nova fase repleta de investimentos estratégicos.
Ela tinha como objetivo modernizar as instalações com climatização e automação em resposta à crescente escassez de mão-de-obra nas propriedades rurais.
Após seus pais decidirem não realizar mais investimentos devido à idade avançada, Viviane assumiu a gestão da granja e começou um processo significativo de modernização.
“Queria modernizar tudo pela questão da mão-de-obra escassa. Meu pai já estava mais velho e decidiu passar a granja pra mim; assim pude investir e expandir bastante”, relata ela.
Em 2022 ocorreu outra mudança importante: antes os leitões eram desmamados aos 21 dias; agora esse processo passou para 28 dias. Com isso, surgiram duas opções: reduzir o número total de fêmeas ou expandir as instalações. A escolha foi pela ampliação; assim o número aumentou para 1.500 matrizes.
André de Oliveira Brito, extensionista agrícola que acompanha o desenvolvimento da granja, observa que essa transformação reflete também uma evolução no perfil do negócio familiar.
“A vivência profissional da produtora Viviane Usinger está passando por uma transição significativa: está deixando um modelo familiar para adotar características empresariais. Antes operavam com 500 matrizes sob supervisão basicamente familiar; agora estão gerenciando 1.500 matrizes com foco em tecnologia”, analisa Brito.
Suinocultura evolui além do modelo familiar
As transformações observadas na propriedade catarinense fazem parte de uma mudança maior na administração das granjas locais.
Conforme Brito aponta, propriedades menores anteriormente geridas quase exclusivamente por famílias estão cada vez mais se profissionalizando e adotando práticas empresariais modernas.
Esse crescimento acarreta novas responsabilidades; os produtores passam a administrar não apenas os animais mas também lidar com questões como contratação e treinamento das equipes envolvidas nas operações diárias.
“Atualmente essas propriedades estão se transformando em negócios reais onde há necessidade clara de contratar mão-de-obra externa”, ressalta Brito.
Consequentemente aumenta também a demanda por capacitação dos próprios produtores enquanto gestores competentes nessa nova dinâmica do mercado agrícola.
Tecnologia avança mas ainda é essencial ter ‘um olhar atento’
As inovações como climatização e automação diminuíram parcialmente as atividades manuais nas granjas; no entanto, Viviane enfatiza que essas tecnologias não substituem uma habilidade vital adquirida ao longo dos anos: observar atentamente os animais.
A rotina diária dela começa cedo às 5h30 quando verifica como estão sendo alimentadas as fêmeas; quaisquer anormalidades nesse comportamento podem indicar problemas imprevistos.
“Se uma fêmea não se levanta na hora da alimentação é sinal claro que há algo errado—ela pode estar manca ou enferma. Detectar problemas rapidamente facilita muito sua recuperação”, esclarece ela.
Mesmo ocupando um cargo gerencial agora, Viviane permanece envolvida nas várias etapas operacionais da granja desde inseminação até desmame.
“Faço tudo! Participo diretamente do tratamento dos animais durante partos ou inseminações—todas as tarefas são realizadas por mim.”
A conexão diária com os animais permite desenvolver insights valiosos difíceis apenas através do treinamento formal.
‘A suinocultura hoje é tudo pra mim’
Após superar tantas dificuldades iniciais ao longo desses anos transformadores , esta atividade representa muito mais do que simplesmente gerar renda para Viviane .
Hoje , além sustentar sua própria família , essa propriedade proporciona emprego para outras dez pessoas .
“A suinocultura hoje representa praticamente tudo pra mim porque garante nosso sustento diário , oferece lazer à nossa família . As dez pessoas sob minha orientação também dependem disso . Portanto , não me imagino atuando em outra área ” , declara .
Viviane menciona sua satisfação ao acompanhar resultados concretos decorrentes das atividades desenvolvidas .
Ela cita como exemplo sua atuação na inseminação das matrizes : após aproximadamente 114 dias , consegue ver resultados diretos daquele trabalho realizado .
“Você realiza inseminações aqui , espera cerca 114 dias , então compreende claramente que aquilo ali gerou frutos . Isso é absolutamente gratificante” , finaliza .
Preparativos para passagem à terceira geração h2 >
O processo sucessório que ocorreu principalmente através da prática quando Viviane começou suas atividades agora está sendo estruturado adequadamente.
Bruno integra-se à rotina diária da propriedade , cursa Agronomia junto com um treinamento direcionado aos jovens sucessores.
Esse curso abrange temas variados sobre gestão empresarial , autoconhecimento , administração financeira entre outros aspectos importantes .
Durante algumas atividades práticas , jovens participantes são incentivados identificar problemas nas propriedades utilizando ferramentas administrativas eficazes buscando soluções adequadas ; especificamente no caso desta propriedade familiar discutiu-se mortalidade elevada dos leitões durante maternidade .
Bruno vê exemplos práticos dados pelos avós como motivadores relevantes continuar neste ramo.
“Meus avós demonstraram perseverança necessária ; sacrificaram muito pelo sucesso deste projeto” , reflete ele.
Para Brito essa sinergia entre gerações poderá ser fundamental durante todo processo sucessório .
“Essa união entre experiência acumulada pela Viviane ao longo dos anos juntamente aos novos conhecimentos trazidos pelo Bruno pode ser poderosíssima” , conclui Brito.
Viviane acredita firmemente que preparar jovens adequadamente representa estratégia crucial continuidade das propriedades rurais brasileiras.
“Caso empresas familiares negligenciem isso corre-se risco considerável perda juventude rural ; jovens deixarão campo por falta oportunidades” , alerta .
Hoje em dia surge questão semelhante aquela vivenciada pelo pai décadas atrás : quem dará continuidade após toda estrutura construída ? P>
Neste momento resposta começa ficar evidente dentro própria família . P>
O empreendimento iniciado em 1994 evoluiu gradativamente passando pelas mãos avô até filha finalmente se preparando alcançar neto ; transformando-se numa operação moderna capaz atender demandas atuais mercado -com suas bem-sucedidas 1500 matrizes automatizadas administradas sob perfil corporativo contemporâneo ! P>
“São três décadas dedicadas esta atividade ; agora estamos preparando sucessão terceira geração ” resume Brito “Começou com seu Irineu Usinger passando pela Viviane rumo Bruno.” P>
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