domingo, 18 de outubro de 2026
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Alimentos

De troca de milho a granja próspera: a trajetória de um produtor rural que transformou sua vida

A jornada da família Babinski na suinocultura teve início com uma pequena instalação de 70 metros quadrados, onde contavam com apenas oito matrizes e uma grande determinação. O patriarca, Leonir, começou sua trajetória em Xavantina, no Oeste de Santa Catarina, com recursos ainda mais limitados.

Crescendo como filho de um agricultor, Leonir começou a trabalhar na infância, ajudando nas atividades da lavoura e na criação de animais. Após o falecimento de seu pai, ele assumiu novas responsabilidades familiares e decidiu investir na produção de milho para garantir o sustento da casa e saldar a dívida pela terra.

Naquela época, a escassez de dinheiro fazia com que as transações dependessem da confiança entre vizinhos. Para quitar a propriedade, Leonir trocava parte de sua colheita de milho com um suinocultor local, que repassava o pagamento ao antigo dono do terreno.

Os acordos eram feitos de maneira simples, registrados em pequenos papéis escritos à mão. Leonir recorda: “Ele pegava um papelzinho da caixa de lenha e escrevia com lápis. Não havia contrato formal. Ele costumava dizer que valeria ‘o bigode’, e eu mal tinha barba naquela época”.

Essa estratégia se mostrou eficaz. Em 1990, após anos dedicados ao trabalho árduo, Leonir finalmente conquistou a escritura da propriedade, mas essa conquista era apenas o início de uma nova fase em sua vida.

Início da criação

No ano seguinte, 1991, Leonir decidiu retomar a atividade que conhecia desde a infância: a criação de suínos. Sem ter dinheiro para grandes investimentos, construiu um chiqueiro modesto medindo 10 por 7 metros. Para arrecadar os fundos necessários, teve que vender uma parte do milho colhido.

Os primeiros suínos foram adquiridos através de trocas com vizinhos. Após engordar suínos para um produtor local, Leonir recebeu uma leitoa como pagamento. Em outra situação, um vizinho que enfrentava problemas com o abastecimento de água ofereceu um macho e uma fêmea em troca do acesso à água da propriedade.

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“Ele me disse: ‘Se você me ceder acesso à água ali, eu te dou um macho e uma fêmea’. Assim ganhei um macho e uma fêmea dele. Depois comprei mais e comecei com oito fêmeas”, relata Leonir.

Dessa forma, a criação foi tomando forma. O milho que antes servia apenas para pagar a terra agora também alimentava os animais. Com o passar dos anos, a família foi ampliando gradualmente sua produção ao aumentar o número de matrizes e investir na infraestrutura da propriedade.

Entretanto, essa expansão não ocorreu sem desafios. Leonir recorda as dificuldades trazidas pela variação nos preços dos suínos e as condições das instalações que tornavam seu trabalho ainda mais complicado.

Nos invernos rigorosos em Santa Catarina, era necessário monitorar os animais constantemente, mesmo durante as madrugadas. “Foi difícil porque havia anos em que os preços dos suínos subiam um pouco; em outros momentos caíam bastante. Nos invernos severos era especialmente complicado cuidar deles. Não havia climatização como hoje; eu precisava levantar à noite para conferir as portas”, relembra.

Com a modernização das granjas e a introdução de equipamentos para climatização juntamente com melhorias no manejo dos animais, o trabalho se tornou mais fácil e contribuiu para o avanço da produção. Um passo significativo foi integrar-se ao sistema de integração agrícola, onde os produtores colaboram com agroindústrias na criação dos animais.

Leonir acredita que esse modelo trouxe condições mais favoráveis para continuar investindo na atividade. “Se eu fosse começar tudo novamente hoje, definitivamente optaria pela integração desde o início. Isso ajuda muito! Se você tentar iniciar sozinho sem capital suficiente será muito desafiador”, afirma.

Ampliação e o futuro da família

Após décadas de crescimento contínuo, chegou um momento crucial para a propriedade. Com 180 matrizes sob seus cuidados, Leonir precisou considerar a expansão da estrutura para dar continuidade à sua atividade na suinocultura.

A proposta envolvia quase dobrar o número de fêmeas e preparar a propriedade para uma produção ainda maior. Embora representasse um desafio financeiro significativo, o acesso ao crédito aliado à parceria com uma integradora possibilitou a construção de uma nova granja.

Para Leonir, permanecer na suinocultura está intimamente ligado às características regionais onde reside sua família: “Na nossa região aqui, é difícil viver apenas com milho ou soja se você não cria suínos ou tem aves ou gado leiteiro. A área é predominantemente montanhosa e rochosa; há poucas terras cultiváveis disponíveis. Contudo, sempre tive paixão por trabalhar com suínos”, compartilha.

A ampliação não apenas proporcionou oportunidades para incrementar a produção mas também ajudou a estruturar melhor a propriedade para os próximos anos.

A trajetória dos Babinski reflete como a evolução da suinocultura exige atenção redobrada aos procedimentos realizados nas granjas. Segundo Heloísa Busatta, extensionista da JBS/Seara no Oeste Catarinense, garantir padronização é essencial para assegurar que todas as etapas do manejo sejam cumpridas corretamente.

“A padronização é vital porque assegura que todos os processos básicos dentro da suinocultura sejam completados adequadamente. Quando padronizamos nossas práticas garantimos que nada importante seja negligenciado”, explica Heloísa.
Entre os principais cuidados estão medidas voltadas à biosseguridade destinadas a prevenir doenças nos plantéis.

A extensionista enfatiza que o acompanhamento das atividades deve ser feito por meio de planilhas detalhadas e listas de verificação referentes aos procedimentos realizados nas granjas. Os controles incluem registros sobre visitantes nas instalações para rastrear possíveis riscos sanitários relacionados à origem dessas pessoas.

“Temos checklists voltados à biosseguridade assim como planilhas para controlar todos os procedimentos realizados dentro da granja além do registro das visitas recebidas. Dessa forma sabemos quem está entrando nas instalações e qual é sua procedência”, detalha Heloísa.

Entretanto, ela observa que seguir as orientações não se resume apenas à existência dos protocolos estabelecidos; é fundamental que os produtores compreendam sua importância para garantir efetividade nas ações propostas: “O comprometimento do produtor é essencial; quando ele entende por que precisa seguir essas diretrizes torna-se um aliado ativo nesse processo”.

O post Produtor começou trocando saca de milho por suíno e hoje possui granja com milhares de cabeças apareceu primeiro em Canal Rural.

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