Desafios em Chicago e alta do dólar a R$ 5 impactam mercado de soja no Brasil; o que esperar para o futuro?

Foto: PixapayColheita recorde nos Estados Unidos pressiona cotações, enquanto Abiove projeta queda de 0,8% nas exportações brasileiras de soja em 2027 O post Pressão em Chicago e câmbio perto de R$ 5 retraem negócios da soja no Brasil; qual perspectiva para o mercado? apareceu primeiro em Canal Rural.

O setor de soja no Brasil enfrenta desafios, pressionado pelo câmbio que se aproxima de R$ 5,00 e pela desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Nesse contexto, os agricultores estão adotando uma postura mais cautelosa nas transações comerciais e voltando suas atenções para o desenvolvimento do plantio da nova safra.

Na sexta-feira (23), o mercado brasileiro de soja registrou um aumento nos preços, embora as transações tenham sido escassas. Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, observou que, apesar das elevações nas cotações, as indicações de compra foram limitadas. A saturação nos portos e a concentração dos produtores no cultivo da nova safra impactaram a comercialização. Algumas tradings estão próximas de finalizar seus embarques programados para o ano, enquanto os prêmios se mantiveram praticamente inalterados.

O dólar comercial fechou a semana com uma queda de 0,96%, sendo cotado a R$ 4,9897 para venda e R$ 4,9877 para compra. Durante o dia, a moeda americana variou entre R$ 4,9887 e R$ 5,0558.

Durante a semana em análise, o volume das transações melhorou em comparação aos dias anteriores, mas ainda ficou aquém do registrado três semanas atrás. No mercado físico, a saca de 60 quilos teve elevações em algumas localidades: em Passo Fundo (RS), passou de R$ 146,00 para R$ 148,00; em Santa Rosa (RS), subiu de R$ 147,00 para R$ 149,00; e em Cascavel (PR), aumentou de R$ 141,00 para R$ 142,00. Em Rondonópolis (MT), os preços se mantiveram em R$ 141,00; Dourados (MS) continuou com o preço de R$ 140,00; e Rio Verde (GO) registrou um valor de R$ 139,00. Nos portos paranaenses e gaúchos houve um aumento na saca também: em Paranaguá (PR), houve alta de R$ 152,00 para R$ 153,00; enquanto em Rio Grande (RS), passou de R$ 153,00 para R$ 155,00.

Na quinta-feira (22), os contratos futuros da soja na CBOT apresentaram valorização para o grão e o óleo; contudo, o farelo apresentou recuo. Essa recuperação ocorreu após oito sessões seguidas de perdas e foi impulsionada por compras realizadas por fundos investidores e pela demanda aquecida da China. Apesar disso, a posição referente a novembro de 2026 acumulou uma queda semanal de 0,37%.

As vendas líquidas norte-americanas referentes à soja da safra 2026/27 totalizaram 2,84 milhões de toneladas na semana finalizada em 15 de outubro. Desse total, a China adquiriu cerca de 2,18 milhões de toneladas. Esses números estão dentro das previsões do mercado que esperava vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas.

Embora a demanda permaneça forte, o avanço da colheita nos Estados Unidos — facilitada pelas condições climáticas favoráveis — aumenta a disponibilidade da oleaginosa e pressiona as cotações internacionais. Os produtores americanos também estão voltando suas atenções para a colheita do milho enquanto as expectativas sobre uma safra maior no Brasil em 2026/27 continuam sendo monitoradas pelos operadores do mercado.

No fechamento do dia anterior à sexta-feira mencionada acima (22), o contrato da soja com vencimento em novembro de 2026 teve alta de 0,27%, alcançando US$ 12,56 por bushel. Já a posição com vencimento em janeiro de 2027 subiu para US$ 12,68 por bushel com um aumento de 0,29%. Em relação aos subprodutos da soja, o farelo com vencimento em dezembro caiu para US$ 346,10 por tonelada (-0,34%), enquanto o óleo subiu modestamente para US$ 66,83 centavos por libra-peso (+0,13%).

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Abiove projeta redução nas exportações em 2027

As previsões indicam que as exportações brasileiras de soja devem diminuir em torno de 0,8% até chegar a um total estimado de 113 milhões de toneladas em 2027 devido ao aumento da demanda interna pelo processamento do grão. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou essa expectativa nesta quinta-feira.

A Abiove estima que o esmagamento da soja atinja um recorde histórico com volume previsto em torno de 66 milhões de toneladas até o ano mencionado anteriormente — representando um crescimento significativo de 3,8% comparado ao ano anterior. Esse crescimento será principalmente impulsionado pela maior demanda proveniente do setor nacional produtivo do biodiesel.

As projeções levam em conta um aumento na mistura obrigatória do biodiesel ao diesel que deverá passar para os atuais níveis normais na porcentagem obrigatória — passando a ser fixada em16% já a partir de março deste ano.

A produção brasileira do farelo deve atingir aproximadamente 50,8 milhões de toneladas — representando um aumento também significativo devido à maior demanda local — e superando assim os números registrados no ano anterior com crescimento estimado também em torno dos mesmos percentuais anteriores citados.

Para o óleo extraído da soja as expectativas são igualmente otimistas: é projetada uma produção histórica que deve alcançar cerca de13.27 milhões toneladas—um aumento esperado também é evidenciado na porcentagem anterior—enquanto as exportações devem ter uma leve queda prevista ao redor dos valores citados anteriores devido ao maior consumo interno provocado pela indústria do biodiesel.

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