A validação internacional da regionalização sanitária desempenhou um papel crucial na mitigação dos impactos comerciais relacionados ao surto da doença de Newcastle, que foi confirmado em Santa Catarina em outubro de 2026. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que, por meio de uma colaboração com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), alguns parceiros comerciais decidiram restringir suas compras apenas àquela região ou a áreas sob controle sanitário, sem precisar interromper as importações provenientes de todo o Brasil.
Essa abordagem se fortaleceu após o surgimento da doença no Rio Grande do Sul, registrado em julho de 2024. Desde então, o Brasil tem trabalhado ativamente para assegurar que as limitações às importações de produtos avícolas fossem alinhadas aos princípios de regionalização estabelecidos no Código Sanitário para Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
O impacto dessa estratégia se tornou mais claro após a confirmação do surto em 18 de outubro de 2026, em uma granja comercial localizada em Nova Itaberaba (SC), especializada na criação de perus para corte. Em 2024, a China havia interrompido as importações de produtos avícolas vindos do Brasil inteiro, mas em 2026, essa restrição foi reduzida apenas a Santa Catarina.
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Uma análise baseada nas exportações brasileiras do ano de 2025 sugere que o reconhecimento da regionalização sanitária impediu perdas potenciais estimadas em cerca de US$ 954 milhões por ano. Os mercados mais afetados positivamente incluem a China, onde foram evitadas perdas próximas a US$ 485 milhões, seguida pela Arábia Saudita com cerca de US$ 293 milhões e a Argentina com US$ 57 milhões.
As limitações impostas pelos importadores variam conforme a extensão geográfica. Países como Uruguai, México e Malásia decidiram suspender as importações de todo o Brasil. Por outro lado, China, Chile, Peru, Turquia, Paraguai e Uzbequistão restringiram suas compras apenas a Santa Catarina. Já nações e blocos como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul, Argentina, Canadá, Egito e Vietnã adotaram medidas limitadas à área afetada pela restrição sanitária que inclui Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
Após a confirmação do surto em Nova Itaberaba, o Mapa declarou emergência zoossanitária por um período inicial de 60 dias para os quatro municípios mencionados. Posteriormente, dois novos focos foram detectados nas cidades de Coronel Freitas e Nova Erechim dentro da mesma área restrita.
Conforme relata o Mapa, a resposta do Brasil envolve uma combinação de ações realizadas pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO), que incluem investigações epidemiológicas e medidas de contenção e vigilância sanitária. Além disso, há um esforço para manter um diálogo internacional contínuo com os países importadores para atualizações técnicas. A regionalização sanitária tem sido fundamental na implementação de medidas comerciais proporcionais às localizações das ocorrências e ao risco associado.
Fonte: gov.br
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