Durante a última semana, o mercado brasileiro de soja experimentou um aumento significativo nos preços, tanto nas negociações físicas quanto nos portos.
Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, destacou que a comercialização apresentou melhorias, com os produtores aproveitando a valorização das cotações, impulsionada pelo crescimento dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).
Valores médios da soja
- Passo Fundo (RS): aumentou de R$ 140 para R$ 147
- Cascavel (PR): subiu de R$ 136 para R$ 144
- Rondonópolis (MT): passou de R$ 133 para R$ 138
- Porto de Paranaguá: elevou-se de R$ 147 para R$ 155
Mercado na Bolsa de Chicago
Na Bolsa de Chicago, os contratos com vencimento em novembro, que são os mais negociados, registraram uma alta de 3,05% ao longo da semana, sendo cotados a US$ 12,32 por bushel.
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A tradicional crop tour do Pro Farmer foi acompanhada pelos agentes do mercado nesta semana. As avaliações iniciais indicaram um potencial produtivo abaixo do esperado, conforme já havia sido antecipado no relatório elaborado em agosto pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Silveira acrescenta que outros fatores que contribuíram para a sustentação das cotações foram a continuidade das compras da China no mercado americano e o aumento nos preços do petróleo. O barril deve fechar a semana com um ganho próximo a 5%, reflexo das tensões renovadas no Oriente Médio.
As importações chinesas de soja dos Estados Unidos aumentaram em impressionantes 164% em julho em comparação ao ano anterior. Este crescimento se deve à continuidade das aquisições feitas sob um acordo para pôr fim à guerra comercial do ano passado. No mês passado, a China importou 1,11 milhão de toneladas da oleaginosa americana, em contraste com as 420,8 mil toneladas do mesmo período de 2025, segundo dados da Administração Geral da Alfândega.
No total acumulado até agora neste ano, as importações somam 10,29 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 38% comparado ao mesmo intervalo do ano anterior.
Em relação às importações brasileiras, foram enviadas ao país asiático 9,78 milhões de toneladas em julho, uma redução de 5,9% em relação ao ano anterior. No acumulado anual até agora são 44,53 milhões de toneladas trazidas do Brasil, o que representa um aumento de 5,37% em relação ao mesmo período do ano passado.
Demanda e oferta da soja
O setor brasileiro de soja continua apresentando um ritmo acelerado nas exportações devido à forte demanda externa. Segundo Silveira da Safras & Mercado, essa demanda está cerca de 5 milhões de toneladas superior à observada no mesmo período do ano anterior.
Apesar do retorno da China ao mercado americano e do avanço nas vendas da nova safra nos EUA, os portos brasileiros mantêm uma demanda firme por parte de outros compradores que seguem ativos nas aquisições.
“Os fatores geopolíticos internacionais e as possíveis consequências do fenômeno El Niño são aspectos cruciais que motivam os compradores a garantir seus estoques”, comenta Silveira.
Diante dessa demanda robusta, as projeções para as exportações brasileiras em 2026 foram revistas pela Safras para 112,5 milhões de toneladas. A estimativa para o processamento interno foi alterada para 63 milhões de toneladas.
Consequentemente, a previsão dos estoques finais para 2026 foi reduzida para apenas 4,883 milhões de toneladas. O especialista explica que essa revisão é significativa e ocorreu porque as previsões anteriores consideravam um retorno mais constante da China ao mercado americano e uma consequente diminuição na demanda pela soja brasileira.
Entretanto, esse cenário não tem se concretizado como esperado. Silveira destaca que a procura pelo produto brasileiro continua firme, resultando em uma perspectiva de estoques muito mais restritos e mantendo os prêmios elevados nos portos nacionais.
Para a safra 2026/27, a Safras & Mercado mantém sua projeção para a produção brasileira em torno de 180,089 milhões de toneladas. Com estoques iniciais estimados em 4,883 milhões e importações projetadas em 900 mil toneladas, a oferta total deve alcançar aproximadamente 185,872 milhões de toneladas.
As exportações esperadas para 2027 estão estimadas em cerca de 110 milhões de toneladas. O processamento deverá atingir aproximadamente 63,5 milhões. A demanda total é prevista em cerca de 177,1 milhões de toneladas com os estoques finais estimados em cerca de 8,772 milhões.
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