Nos últimos anos, a prescrição do zolpidem, um fármaco destinado ao tratamento temporário da insônia, tem se intensificado, gerando preocupações entre os profissionais de saúde. Este medicamento, que faz parte da classe dos sedativos e hipnóticos, pode acarretar efeitos colaterais severos quando utilizado sem supervisão médica ou por períodos que excedam os recomendados.
Ana Cláudia de Brito Passos, farmacêutica e coordenadora do Centro de Informação e Documentação sobre Medicamentos (CIDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC), enfatiza que o zolpidem deve ser administrado somente em circunstâncias específicas e por um tempo restrito.
Conforme a especialista, o zolpidem é indicado para o manejo de insônia de curta duração e deve ser utilizado na menor dosagem eficaz possível, sempre sob orientação profissional e pelo menor período viável.
Ela alerta que a utilização inadequada ou prolongada do medicamento pode resultar em sonolência excessiva, tonturas, comprometimento da atenção e coordenação motora, além de alterações na memória e no comportamento. O uso irresponsável também eleva o risco de quedas e acidentes. Ademais, pode induzir à tolerância, dependência e sintomas de abstinência ou insônia rebote quando sua administração é interrompida abruptamente.
Comportamentos automáticos durante o sono são um risco com o zolpidem
Entre os perigos associados ao uso do zolpidem, Ana Cláudia menciona a possibilidade de comportamentos automáticos enquanto a pessoa dorme. Nessa condição, o indivíduo pode realizar atividades sem estar plenamente acordado e não recordar-se delas posteriormente.
“Há relatos de pessoas que se levantam, comem, dirigem ou realizam outras tarefas sem estarem completamente conscientes. Embora esses eventos sejam raros, podem ocasionar acidentes sérios”, explica a profissional.
A farmacêutica também adverte que a combinação do zolpidem com álcool ou outros medicamentos que deprimem o sistema nervoso central aumenta o risco de sedação excessiva.
Outro aspecto relevante é a duração do tratamento. Ana Cláudia salienta que as diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendam que o uso do zolpidem não ultrapasse quatro semanas.
Opções de tratamento para insônia além dos fármacos
Para pacientes com insônia crônica, especialistas sugerem opções não farmacológicas como primeira linha de tratamento. A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é uma das abordagens mais eficazes disponíveis para lidar com essa condição.
“Pesquisas demonstram que a TCC-I é a principal estratégia não medicamentosa recomendada por diretrizes médicas relevantes como tratamento inicial”, afirma Ana Cláudia.
Além disso, ela destaca a importância de identificar fatores que possam contribuir para as dificuldades em dormir. Isso inclui consumo elevado de cafeína, álcool e nicotina, horários irregulares para dormir, uso excessivo de dispositivos móveis, ansiedade e depressão. Especialistas sublinham que o zolpidem deve ser utilizado apenas sob prescrição médica e com acompanhamento adequado para minimizar riscos à saúde e evitar dependência do fármaco.
Fonte: Agência Brasil
O post Uso indiscriminado de medicamento para dormir traz sérios riscos à saúde apareceu primeiro em Roraima em Tempo.
