A Polícia Civil de Roraima (PCRR) efetuou a prisão de um casal sob a suspeita de envolvimento em um caso de estupro de vulnerável e homicídio qualificado de uma criança do sexo masculino, com apenas dois anos. A detenção ocorreu na noite da última quinta-feira, 30, no bairro Treze de Setembro, em Boa Vista.
A criança foi levada ao Hospital da Criança Santo Antônio apresentando diversas lesões pelo corpo e claros sinais de abuso sexual. Essas evidências contradizeram a versão inicial fornecida pela mãe, que alegou que o pequeno teria falecido após cair de uma rede. Em consequência disso, a Polícia Civil iniciou uma investigação aprofundada.
Desdobramentos da Investigação
Conforme o delegado Luís Zucchi, médicos do hospital acionaram as autoridades assim que notaram indícios de violência extrema. As lesões observadas não condiziam com a história contada pelos responsáveis da criança. Desde o início das investigações, os policiais identificaram inconsistências nos depoimentos e começaram a trabalhar para elucidar a verdadeira sequência dos eventos.
Um dos pontos cruciais que impulsionou as investigações foram as contradições nas declarações da mãe, que tem 32 anos. Ao ser questionada no hospital, ela relatou inicialmente ter jogado seu filho para cima, resultando em sua queda. Contudo, ao ser interrogada pelos policiais, alterou seu relato para afirmar que o menino teria morrido após a queda da rede.
Ela mencionou estar em casa com seus três filhos — uma criança de sete anos, outra de três e o menino de dois anos — além de estar grávida. Segundo seu relato, enquanto balançava o filho na rede, esta teria se rompido e ambos caíram. Ela afirmou ainda que caiu sobre o menino e logo percebeu que ele apresentava dificuldades para respirar, coloração arroxeada e outros sinais graves de comprometimento físico. O delegado acredita que essas contradições levantaram suspeitas imediatas sobre uma possível tentativa de encobrir a verdadeira dinâmica dos fatos.
Avaliação Médica
O delegado Zucchi destacou que as evidências encontradas no corpo da vítima e o laudo médico refutaram completamente a hipótese de um acidente doméstico. A criança chegou ao hospital em estado crítico, com múltiplos hematomas e marcas visíveis de agressões físicas incluindo escoriações e mordidas, além de sangramento na região anal — um quadro compatível com abuso sexual severo.
“A narrativa apresentada pela mãe tentava caracterizar um acidente; no entanto, as provas técnicas e médicas revelaram um cenário totalmente diferente, indicando indícios claros de violência brutal”, declarou Luís Fernando Zucchi.
Durante as investigações, os policiais também descobriram que o parceiro da mãe, com 33 anos, forneceu informações falsas sobre suas atividades no dia do crime.
Segundo seu relato inicial à polícia, ele alegou ter trabalhado durante todo o dia em uma borracharia localizada no bairro Treze de Setembro das 7h às 15h. Depois disso, afirmou ter voltado para casa e encontrado a criança já gravemente ferida antes de ajudar no socorro.
No entanto, essa versão foi desmentida pelo proprietário da borracharia que informou à polícia que o homem saiu do trabalho por volta das 12h e só retornou às 15h. Essa discrepância aumentou as suspeitas quanto à sua possível participação nos crimes.
Para o delegado Zucchi, as evidências coletadas indicam que A.R.C. foi responsável direto pelas agressões sexuais e físicas que levaram à morte do menino. Enquanto isso, N.R.C. teria se omitido intencionalmente ao não proteger seu filho mesmo tendo responsabilidade legal sobre ele.
“A investigação revelou um ambiente de extrema crueldade voltado contra uma vítima totalmente vulnerável. A resposta da Polícia Civil foi rápida e técnica, assegurando a prisão dos envolvidos e buscando responsabilizá-los por crimes tão graves”, enfatizou o delegado.
Próximas Medidas
O delegado também informou que A.R.C. já era alvo de investigações pela DGH em outro caso relacionado a tentativa de homicídio, fato relevante para este contexto investigativo.
Na noite da quinta-feira, o casal foi levado até a sede da DGH onde foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante (APF) pelos crimes cometidos: estupro de vulnerável e homicídio qualificado.
O corpo da criança foi enviado ao IML (Instituto Médico Legal) para realizar perícia necroscópica com laudo previsto para ser concluído em até dez dias.
O delegado Luís Fernando Zucchi pediu pela homologação do flagrante e pela conversão das prisões em preventivas devido à gravidade dos delitos envolvidos e ao potencial risco à ordem pública bem como à necessidade de preservar a instrução criminal.
No dia seguinte, sexta-feira 1º de maio, ocorreu a audiência de custódia onde a Justiça converteu a prisão em preventiva devido à seriedade dos crimes investigados e à solidez das provas reunidas pela Polícia Civil. Em contraste, a mãe recebeu liberdade provisória com imposição de medidas cautelares como monitoramento eletrônico conforme decisão judicial.



