Cerca de 12 horas se passaram durante um parto que foi acompanhado por uma equipe veterinária e todo o pessoal da fazenda, marcando um acontecimento extraordinário na história da suinocultura.
No dia 11 de junho, na Fazenda Cotia, localizada em Piedade de Ponte Nova (MG), uma leitoa fez história ao dar à luz 46 leitões, superando recordes reconhecidos mundialmente e transformando uma data comum em um momento de celebração para trabalhadores, fornecedores e familiares.
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João Antônio Bordoni da Silva, responsável pela gestão da propriedade familiar junto com suas quatro irmãs, acredita que esse feito não foi mero acaso. Ele atribui o recorde a anos dedicados a investimentos em genética, nutrição, manejo e bem-estar dos animais.
“O processo começa com a escolha cuidadosa dos insumos. Milho, sorgo e soja são criteriosamente selecionados antes de serem utilizados na fabricação da ração. Em seguida, investimos no treinamento da equipe e em criar um ambiente confortável para os animais”, detalha.
João também menciona que as condições climáticas favoreceram a leitoa durante a gestação. Após um período de calor intenso, a redução da temperatura contribuiu para que ela completasse a gestação até o parto.
“Tivemos uma onda de calor muito severa recentemente. Talvez essa matriz não conseguisse chegar ao final da gestação. No entanto, graças à melhora nas condições climáticas e aos nossos esforços para garantir seu conforto, ela conseguiu parir com sucesso”, comenta.
Parto exigiu operação especial
O nascimento dos 46 leitões demandou cuidados muito além do habitual. Segundo Bordoni, quando a matriz atingiu a marca de 30 leitões, foi necessário implementar procedimentos especiais para assegurar a segurança do parto.
“O trabalho durou cerca de 12 horas. Assim que chegamos a 30 ou 31 leitões, iniciamos um acompanhamento mais rigoroso. Monitoramos constantemente sua temperatura e verificamos sinais de febre ou retenção de leitões. Foram realizados procedimentos técnicos para garantir que ela pudesse finalizar o parto com êxito”, explica ele.
Embora a genética tenha desempenhado um papel importante nesse resultado, João enfatiza que o foco principal da granja sempre foi o bem-estar dos animais.
“As empresas especializadas em genética e nutrição buscam aumentar a produtividade, mas sempre priorizando o bem-estar animal. Nosso trabalho não envolve hormônios para induzir esses resultados; é fundamentado em técnicas naturais e no manejo diário”, esclarece.
Um recorde que mobilizou toda a fazenda
A notícia do nascimento extraordinário se espalhou rapidamente pela fazenda. O clima festivo tomou conta não apenas daqueles diretamente envolvidos no parto, mas também de funcionários de outros setores, prestadores de serviços e clientes.
“Foi uma alegria contagiante. Desde quem estava presente no parto até aqueles fazendo manutenção nas cercas. Havia pessoas realizando terraplanagem e assim que souberam da novidade, todos queriam entender o que estava acontecendo. Onde quer que eu fosse, esse era o único assunto”, relata João.
Ele faz questão de compartilhar os louros desse feito com sua equipe: “Quero reconhecer publicamente todos os colaboradores da Fazenda Cotia: funcionários, prestadores de serviços e fornecedores. Este resultado é fruto de uma colaboração conjunta.”
Sem Guinness, mas com reconhecimento
Apesar do nascimento ter ultrapassado recordes conhecidos internacionalmente, João esclarece que a propriedade não tem planos de buscar um registro no Guinness World Records. A organização decidiu não homologar esse tipo de recorde para evitar práticas que possam prejudicar a saúde dos animais.
“A resposta recebida foi clara: eles não registram mais esses feitos devido à preocupação em incentivar práticas prejudiciais aos animais”, afirma ele.
Aposentadoria garantida
Após realizar o maior parto registrado na Fazenda Cotia, a leitoa terá um destino distinto das demais matrizes do local.
Normalmente, uma fêmea permanece na produção por aproximadamente seis gestações antes de ser descartada; porém, João já decidiu outro caminho para esta matriz especial.
“Ela ficará conosco. Já providenciei uma baia exclusiva para ela e não será descartada como as outras matrizes. Vamos permitir que tenha um fim natural aqui na fazenda”, afirma João.
Mais do que apenas um marco histórico, ele acredita que o nascimento dos 46 leitões reflete anos dedicados ao manejo cuidadoso e ao respeito pelos animais – fatores essenciais que transformaram um evento fora do comum em uma realização notável.
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