A Polícia Civil de Roraima (PCRR) finalizou uma investigação que resultou no indiciamento de cinco indivíduos, acusados de estelionato e formação de organização criminosa. O grupo é composto por um jovem de 26 anos, um homem de 28, outro de 29 anos, além de mais dois com idades de 30 e 39 anos.
Os investigados utilizavam documentos pertencentes a terceiros para contratar empréstimos, direcionando os valores para contas bancárias indicadas por eles mesmos. Essa prática causou prejuízos que ultrapassam R$ 2 milhões à Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo de Funcionários de Instituições Financeiras Públicas Federais Ltda (COOPERFORTE).
Durante a investigação, a polícia identificou 42 associações com comportamento suspeito, que seguiam um padrão semelhante ao do grupo em questão, envolvendo a contratação de empréstimos que posteriormente não eram pagos. O trabalho investigativo conseguiu revelar a dinâmica da atuação criminosa e a distribuição das funções entre os membros do grupo.
Funcionamento do esquema
Segundo informações da PCRR, as investigações revelaram que os suspeitos abordavam pessoas que desejavam obter empréstimos bancários, incluindo aquelas sem comprovante de renda. Para facilitar as transações, o grupo pedia documentos pessoais, comprovantes de residência e fotos, além de realizar reconhecimento facial através de um aplicativo.
Com essas informações em mãos, os envolvidos contratavam empréstimos em quantias superiores às que haviam sido inicialmente informadas aos titulares. Quando os recursos eram liberados, os beneficiários recebiam cerca de R$ 5 mil e eram instruídos a transferir o restante para as contas indicadas pelos integrantes do esquema.
Durante a investigação, um homem de 28 anos foi identificado como um dos principais organizadores da operação criminosa. Depoimentos coletados no inquérito apontam que ele era encarregado da coleta dos documentos necessários, orientava sobre a abertura ou uso das contas bancárias e acompanhava as operações financeiras.
Outro membro do grupo, com 29 anos, confessou ter indicado o comparsa a várias vítimas. No entanto, alegou acreditar que as movimentações financeiras estavam relacionadas a atividades ligadas ao garimpo.
O integrante mais velho do grupo, com 39 anos, era reconhecido como responsável pela captação das vítimas e pela coordenação dos processos para a contratação dos empréstimos. De acordo com os depoimentos, ele acompanhava as pessoas até as agências bancárias e recolhia os documentos necessários para concluir as operações.
Um dos envolvidos com 30 anos também foi identificado como destinatário frequente dos recursos. A polícia localizou uma conta bancária digital em seu nome, e testemunhas relataram sua participação na captação das vítimas e na coleta dos documentos exigidos.
Por fim, o jovem de 26 anos teria indicado familiares para ajudar na captação das vítimas. Ele também é mencionado como titular de uma conta que recebeu valores provenientes das transferências após a liberação dos empréstimos.
Indícios de organização criminosa
Além das acusações relacionadas ao estelionato, a investigação reuniu indícios que sugerem a existência de uma organização criminosa estruturada. Essa conclusão se baseia na repetição da metodologia adotada pelo grupo, na participação conjunta dos cinco indivíduos e na clara divisão das funções observada durante a apuração.
Com base nas evidências coletadas no inquérito, M.S.S. seria responsável principalmente pela operacionalização dos empréstimos e pela orientação nas transferências; G.M.F.F. e F.S.B. atuariam na captação e intermediação; J.S.B. funcionaria como destinatário dos recursos e também participaria da captação; enquanto W.S. seria encarregado da indicação das vítimas e do recebimento dos valores obtidos.
Após concluir o inquérito policial na sexta-feira, dia 21, a PCRR enviou os resultados à 3ª Vara Criminal da Comarca de Boa Vista. Agora o caso aguarda as deliberações do Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) e outras providências judiciais necessárias.
