A alteração da carga horária de 44 horas semanais para 40 horas, recentemente aprovada pelo Senado Federal na quarta-feira (14), poderá impactar a oferta de produtos das empresas que atuam no setor avícola, suinícola e de ovos. Essa análise é do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
Ele afirma que a primeira ação a ser adotada pelo setor será a diminuição da capacidade produtiva, com o intuito de evitar o acúmulo de animais que não poderão ser abatidos devido à escassez de trabalhadores e às exigências sanitárias estabelecidas pela legislação.
Santin enfatiza que as indústrias já enfrentam um déficit de mais de 20 mil postos de trabalho disponíveis, o que leva o setor a buscar mão de obra estrangeira.
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“Atualmente, contamos com um considerável número de imigrantes, incluindo migrantes internos das regiões Norte e Nordeste do Brasil em busca de emprego nas plantas do Sul, além de venezuelanos, haitianos, bolivianos e pessoas provenientes de vários países africanos que trabalham nas indústrias de carne avícola. No entanto, estamos enfrentando dificuldades para encontrar essa mão de obra com agilidade”, afirmou ele.
O presidente da ABPA também ressalta que cada empresa precisará avaliar internamente a melhor abordagem diante dessa nova realidade. “Cada companhia deve realizar uma análise sobre como irá implementar a redução [da jornada]. Se optar por pagar horas extras… aqueles que trabalham no esquema 6×1 terão que reduzir em 5% o volume de produtos processados em suas fábricas, visto que as empresas operarão com duas horas a menos por dia, resultando em uma produção 5% inferior”, detalhou.
Para Santin, é inevitável que ocorra uma diminuição na oferta de produtos em determinados mercados, acompanhada por um aumento nos preços. Ele também revelou que o setor se reunirá para discutir as possíveis estratégias a serem adotadas. “Entretanto, é importante lembrar que se trata de uma proposta de emenda constitucional; a Constituição Federal do Brasil foi modificada e deve ser respeitada dentro do regime democrático”, acrescentou.
De qualquer maneira, o executivo planeja ir a Brasília para se reunir com ministros e apresentar a situação do setor em relação à redução da escala 6×1. Santin deu esta entrevista ao Canal Rural durante a SIAL Paris, um dos eventos mais relevantes na indústria global de alimentos e bebidas.
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