segunda-feira, 13 de julho de 2026
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Agricultura

Mulheres que colhem mangaba lutam pela preservação de seu território em área em crescimento de Aracaju

Na região sul de Aracaju, catadoras de mangaba estão engajadas na proteção de áreas extrativistas que enfrentam a pressão da urbanização crescente. Essas terras abrigam remanescentes de mangabeiras, que têm sido utilizadas por famílias na coleta e manejo do fruto por mais de 80 anos. A comunidade se empenha em preservar essa atividade, aumentar o beneficiamento dos produtos e estabelecer uma gestão participativa eficaz da área.

O espaço ocupado pelas catadoras inclui a Reserva Extrativista (Resex) Mangabeiras Missionário Uilson de Sá, além de uma parcela da União que foi concedida à comunidade através de um Termo de Autorização para Uso Sustentável. Juntas, essas áreas constituem um território cultural tradicional, onde o extrativismo da mangaba é fundamental para a subsistência de diversas famílias.

A Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper (ACCMPLL) desempenha um papel crucial na organização da produção, na preservação dos saberes tradicionais e na relação com as autoridades públicas. No ano passado, a associação foi reconhecida com o primeiro lugar na categoria Povos e Comunidades Tradicionais do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Com isso, foram alocados R$ 45 mil para a realização de oficinas e estudos voltados ao beneficiamento da mangaba e ao turismo comunitário, em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

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No início de junho, durante a 5ª Festa da Colheita, a comunidade apresentou o Plano de Manejo Popular para a reserva. Este documento foi criado em colaboração entre os membros da comunidade com o intuito de registrar a história local, incentivar a conservação das áreas naturais, criar cartografia ecológica e contribuir para uma gestão participativa eficiente.

Dentre as propostas discutidas estão a construção da Casa da Mangaba, destinada ao processamento do fruto e à elaboração de produtos derivados como geleias, licores, biscoitos, bolos, pães, vinagres e vinhos. Também se propõe a criação de um museu dedicado à mangaba e uma nova sede para a associação. O turismo comunitário é outro foco importante que visa destacar a história das catadoras e sua culinária tradicional.

Conforme dados da Pesquisa da Extração Vegetal e Silvicultura (Pevs) realizada em 2023 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sergipe ocupa o quarto lugar no Brasil na produção extrativista de mangaba, ficando atrás apenas da Paraíba, Rio Grande do Norte e Minas Gerais.

A administração municipal de Aracaju informou que o desenvolvimento do plano de manejo depende da formação do conselho gestor. Além disso, mencionou que há um projeto arquitetônico aprovado com recursos destinados à construção de uma unidade para beneficiamento da mangaba na Resex. A prefeitura também assegurou que mantém ações de fiscalização ambiental e apoio à proteção desse território.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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