domingo, 18 de outubro de 2026
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Agro

Safra de maçã no Brasil depende de colmeias alugadas para polinização

As temperaturas mais baixas durante o inverno foram benéficas para a formação das flores nas macieiras, sinalizando o início da nova safra.

Conforme Moisés Lopes de Albuquerque, diretor executivo da ABPM (Associação Brasileira dos Produtores de Maçã), "As macieiras precisam de um período de dormência antes de recomeçar seu ciclo de crescimento. Neste ano, o acúmulo de horas frias nas principais áreas de cultivo superou a média histórica, resultando em uma quebra de dormência eficaz, com brotações uniformes e saudáveis, o que indica um grande potencial de florada".

A polinização é uma fase crucial, pois impacta diretamente na quantidade e na qualidade dos frutos. Para garantir a fecundação e o desenvolvimento adequado das maçãs, a presença de abelhas e outros polinizadores é essencial.

O fenômeno El Niño trouxe chuvas em excesso para o Sul do Brasil, onde estão localizadas as principais regiões produtoras de maçãs, o que gerou preocupações. Moisés observa: "Períodos prolongados de chuvas intensas podem comprometer a polinização, pois reduzem consideravelmente a atividade de voo das abelhas nas plantações".

Como resposta, muitos agricultores decidiram alugar colmeias para garantir o sucesso dessa etapa. "O clima alterna entre dias chuvosos e períodos ensolarados. Para maximizar o uso desses momentos favoráveis, os produtores aumentaram o número de colmeias em seus pomares".

Os impactos do aluguel de abelhas e da polinização serão analisados nas próximas semanas, quando se avaliará a taxa de fixação dos frutos nas plantas.

“Ainda temos etapas importantes até a colheita das variedades Gala e Fuji, programada para o início de 2027. Contudo, estamos otimistas, prevendo uma safra equilibrada em termos de volume e qualidade”, acrescenta Albuquerque.

Recorde de safra no Brasil em 2025/2026

O ânimo dos produtores é impulsionado pela colheita recorde da última safra, com o Brasil registrando 1,6 milhão de toneladas de maçãs, a maior produção já alcançada.

Esse total é quase o dobro do que foi colhido nas duas últimas safras, que somaram cerca de 850 mil toneladas. Além disso, supera o recorde anterior de 2017, que foi de 1,3 milhão de toneladas.

Santa Catarina destacou-se na produção, com aproximadamente 830 mil toneladas, seguida pelo Rio Grande do Sul, que produziu cerca de 710 mil toneladas. O Paraná contribuiu com cerca de 50 mil toneladas, enquanto São Paulo e Minas Gerais tiveram uma produção menor.

Crescimento das exportações, mas abaixo das expectativas

As exportações de maçãs também apresentaram aumento, alcançando 48,6 mil toneladas em 2026, em comparação a 13 mil toneladas em 2025, totalizando US$ 49,6 milhões, segundo dados da ABPM.

A fruta brasileira foi exportada para mais de 25 países, com a Índia figurando como o principal destino, recebendo 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita com 10,1 mil toneladas. Rússia, Portugal e Irlanda também estão entre os principais importadores.

No entanto, a associação havia planejado exportar 100 mil toneladas da super safra, mas o volume não atingiu a meta devido a desafios comerciais e logísticos causados pela Guerra no Oriente Médio. "O conflito limitou as vendas para aquela região, gerou superoferta em outros mercados e complicou a logística para praticamente todos os destinos", explica Albuquerque.

A supersafra de maçãs aumentou a oferta no mercado interno, contribuindo para a queda dos preços ao consumidor. "Atualmente, a demanda por maçãs frescas no Brasil é de cerca de 1 milhão de toneladas, mas neste ano, o consumo deve ser maior, impulsionado por preços mais competitivos e pela elevada oferta", destaca o diretor executivo.

Nesse cenário, a abertura de novos mercados estratégicos, como México e Malásia, é considerada fundamental para diversificar os destinos da maçã brasileira e ajudar a equilibrar o mercado interno.

"As safras de 2023 a 2025 foram atípicas, com produções reduzidas devido a fatores climáticos, especialmente as fortes chuvas na segunda metade de 2023 e em maio de 2024. Isso aumentou a necessidade de importação para complementar a oferta nacional. Naqueles anos, cerca de dois terços das maçãs consumidas no Brasil eram de origem nacional. Em 2026, devemos voltar a níveis superiores a 85%", conclui o diretor da ABPM.

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