terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Sintomas da Doença de Newcastle: Como Proteger Suas Aves da Infecção

A confirmação da presença do vírus da doença de Newcastle em aves de uma propriedade localizada em Santa Catarina evidencia a necessidade de rigorosos cuidados sanitários para prevenir a propagação dessa enfermidade nas granjas do Brasil. Trata-se de uma patologia extremamente contagiosa, capaz de ocasionar problemas respiratórios, distúrbios neurológicos e, em casos extremos, a morte das aves, gerando significativos prejuízos aos produtores.

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Em uma entrevista concedida ao Mercado & Companhia, o veterinário Marcos Rezende, especialista em Ciência, Sanidade e Epidemiologia Animal, elucidou sobre os sinais da doença de Newcastle, seus modos de transmissão e as precauções que podem ser adotadas para proteger os rebanhos.

Conforme ressaltou o especialista, um dos grandes desafios é que muitas aves podem ser portadoras do vírus sem manifestar sintomas visíveis, tornando essencial o monitoramento sanitário para evitar surtos.

No incidente reportado em Santa Catarina, por exemplo, o material genético do vírus foi identificado durante uma inspeção realizada pela Secretaria de Agricultura local, mesmo com as aves não apresentando sinais clínicos da doença.

Quais são os sintomas da doença de Newcastle?

A doença de Newcastle é uma infecção viral que atinge primariamente os sistemas respiratório, nervoso e digestivo das aves. A intensidade dos sintomas pode variar dependendo da cepa viral envolvida, da imunidade das aves e das condições sanitárias existentes no plantel.

Rezende destacou que os principais indícios que devem alertar os produtores incluem:

  • Dificuldade respiratória: as aves podem apresentar respiração acelerada, tosse ou espirros.
  • Alterações neurológicas: dificuldades na locomoção, instabilidade e movimentos desordenados.
  • Torcicolo: a ave pode manter a cabeça em uma posição anômala.
  • Queda na produtividade: diminuição na produção e comprometimento do crescimento dos animais.
  • Mortalidade: em situações graves, a infecção pode ocasionar mortes no rebanho.

“Quando as aves são afetadas pela doença de Newcastle, elas podem manifestar sinais clínicos tanto respiratórios quanto neurológicos”, esclareceu o veterinário.

Ele enfatizou que a progressão da enfermidade pode ser rápida devido à alta capacidade de transmissão do vírus entre os animais.

É importante notar que esses sintomas também podem se manifestar em outras doenças avícolas. Portanto, a confirmação requer testes laboratoriais realizados por profissionais competentes na área veterinária.

Como ocorre a transmissão do vírus?

A doença de Newcastle se espalha através do contato direto entre aves infectadas e saudáveis ou indiretamente por meio de superfícies e materiais contaminados.

O veterinário Marcos Rezende explicou que o vírus pode ser excretado pelas secreções respiratórias e fezes das aves afetadas.

Partículas virais têm potencial para contaminar água, ração e diversos equipamentos presentes nas instalações avícolas.

“O contágio pode ocorrer diretamente entre aves mediante fluidos e gotículas expelidas durante a respiração”, informou ele.

Outro aspecto relevante é que uma ave portadora do vírus pode transmiti-lo mesmo sem mostrar quaisquer sinais visíveis da doença.

Isso indica que a ausência de sintomas não assegura que um rebanho esteja livre do agente infeccioso.

Como prevenir a doença de Newcastle nas granjas?

A principal orientação é implementar um programa rigoroso de biosseguridade com medidas direcionadas à prevenção da entrada e circulação do vírus nas propriedades rurais.

Entre os cuidados essenciais estão:

  • Vacinação: seguir o esquema vacinal sugerido pelo veterinário responsável conforme a categoria das aves e normativas sanitárias vigentes.
  • Controle de acesso: restringir visitantes, veículos e pessoas não autorizadas nas instalações avícolas.
  • Higienização: assegurar que equipamentos e instalações sejam mantidos limpos e desinfetados regularmente.
  • Controle de contato: evitar que aves domésticas tenham interação com aves silvestres ou animais sem histórico sanitário conhecido.
  • Água e alimentação: proteger fontes de água e ração contra possíveis contaminações externas.
  • Monitoramento do plantel: realizar observações diárias para detectar alterações respiratórias, neurológicas ou um aumento inesperado na mortalidade.

O veterinário enfatiza que as práticas já implementadas na avicultura brasileira são cruciais para minimizar os riscos de propagação da doença. “É fundamental continuar seguindo as diretrizes estabelecidas sobre vacinação e biosseguridade”, afirmou Rezende.

Ele também sublinhou que identificar o vírus antes do surgimento dos sintomas clínicos reforça a relevância da vigilância sanitária nas propriedades rurais.

O que fazer se houver suspeita da doença?

Ao notar aves com sinais indicativos da doença de Newcastle ou registrar mortalidade acima dos padrões normais, o produtor deve notificar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial através do órgão estadual responsável pela defesa agropecuária.

A enfermidade é considerada uma notificação obrigatória no Brasil, sendo necessária a investigação por parte das autoridades competentes na área sanitária.

Até receber instruções específicas, é recomendável evitar movimentar aves, equipamentos ou quaisquer materiais que possam facilitar a disseminação do vírus. Além disso, não se deve introduzir novos animais no plantel ou transferir aves suspeitas para outras instalações.

Para confirmar a infecção é necessário realizar exames laboratoriais apropriados. As ações corretivas devem seguir as orientações dos serviços veterinários oficiais responsáveis pela supervisão sanitária.

A doença de Newcastle pode ser transmitida aos humanos?

Marcos Rezende esclareceu que existem relatos raros de infecções humanas causadas pelo vírus da doença de Newcastle principalmente em cenários onde há contato próximo com aves infectadas. Nestes casos mais comuns observa-se frequentemente a ocorrência de conjuntivite – inflamação ocular associada à infecção. A infecção em humanos é considerada incomum e geralmente está relacionada à exposição profissional ao patógeno. Por essa razão, trabalhadores envolvidos diretamente com avicultura devem utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados além de adotar rigorosas práticas higiênicas e biosseguridade para mitigar riscos potenciais ao seu bem-estar saúde.

É seguro consumir carne de frango e ovos?

Sim. A transmissão da doença de Newcastle ao consumidor através do consumo adequado da carne de frango ou ovos não representa risco algum. Durante sua fala, Rezende reafirmou a segurança sanitária dos produtos avícolas brasileiros disponíveis sob inspeção oficial. “A carne das aves brasileiras é completamente segura”, garantiu ele. O especialista ainda destacou como o sistema robusto de fiscalização permite identificar problemas rapidamente além das ações necessárias para evitar qualquer tipo disseminação viral indesejada. Para ele , o caso verificado em Santa Catarina ressalta ainda mais a importância dos protocolos permanentes relacionados à vigilância , vacinação bem como biossegurança ao longo toda cadeia produtiva avícola .

Produtores são aconselhados a continuar seguindo as recomendações dos órgãos oficiais responsáveis pela defesa agropecuária , informando prontamente qualquer suspeita relacionada à saúde animal dentro seus rebanhos .

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