A Polícia Civil de Roraima (PCRR) conseguiu identificar o autor do assassinato do agricultor Dione Tavares Cardoso, conhecido como “Nikita”. A vítima foi encontrada sem vida no dia 31 de maio em uma casa situada na Vicinal 2, km 17, dentro do Projeto de Assentamento Arco-Íris, na área rural de Caracaraí.
Após um período de dez dias dedicados a investigações que incluíram diligências e entrevistas, a equipe policial identificou G.S.R., de 23 anos, como o principal suspeito do crime. No momento, os investigadores estão aguardando a finalização de algumas diligências adicionais e dos laudos técnicos para concluir oficialmente o inquérito.
O corpo de Dione foi descoberto por moradores na manhã do dia 31 de maio, nos fundos da sua residência. A ocorrência foi imediatamente registrada pela Polícia Militar, que informou à Polícia Civil para que as investigações fossem iniciadas sem demora.
Conforme relatado pelo delegado Bruno Gabriel Bezerra Costa, a cena do crime revelava indícios de brutalidade extrema e sugeria que a vítima havia tentado resistir ao ataque.
“Ao chegarmos no local, constatamos uma situação de extrema violência. A casa estava completamente desarrumada, havia muito sangue espalhado pelo chão e o celular da vítima foi encontrado danificado dentro da residência. Os sinais indicavam uma luta intensa antes do homicídio”, declarou ele.
Desdobramentos das investigações
A análise das circunstâncias do crime permitiu à equipe policial traçar os últimos momentos da vida do agricultor. As apurações revelaram que Dione estava consumindo bebidas alcoólicas em sua casa na companhia de três pessoas, incluindo o principal suspeito, na noite anterior ao assassinato.
Além disso, foi identificado que G.S.R. permaneceu com Dione durante a madrugada, coincidindo com o horário estimado para o crime. Durante a investigação, foram realizadas conversas com testemunhas e levantamentos detalhados para confrontar as versões apresentadas pelos envolvidos.
O delegado destacou que uma das chaves para esclarecer o caso foi a discrepância entre o depoimento do suspeito e as declarações das testemunhas.
Na última terça-feira, dia 10, durante seu interrogatório, o suspeito afirmou ter deixado a residência logo no início da noite; no entanto, testemunhas relataram que ele ficou até a madrugada e esteve sozinho com Dione no momento em que ocorreu o crime.
Outro elemento relevante surgiu nas declarações dadas por familiares do investigado. Segundo relatos coletados durante a investigação, G.S.R. teria confessado o assassinato em conversas ocorridas após o fato. Esses depoimentos foram integrados ao conjunto probatório da investigação.
Adicionalmente, as investigações mostraram que o suspeito deixou a área rapidamente após cometer o crime. Quando os policiais iniciaram as buscas pelo local onde G.S.R. costumava ficar, ele já não estava mais presente.
Conflitos anteriores
As apurações também revelaram conflitos anteriores entre Dione e G.S.R. Testemunhas relataram divergências relacionadas à disputas por terras na região e ameaças ocorridas semanas antes do homicídio. Essas informações foram incorporadas à linha investigativa do caso pela Polícia Civil.
O delegado Bruno Gabriel enfatizou que toda a investigação foi realizada com rigor técnico e análise minuciosa das evidências encontradas.
“Reunimos toda a cronologia dos eventos, confrontamos os depoimentos e analisamos as contradições apresentadas pelo investigado. Isso nos permitiu compilar um conjunto robusto de provas que indica claramente a responsabilidade criminal do autor”, ressaltou.
Por fim, a Polícia Civil aguarda os laudos periciais solicitados ao Instituto de Criminalística e ao Instituto de Medicina Legal, além da realização de três oitivas complementares consideradas essenciais para finalizar as investigações. Assim que essas etapas forem concluídas, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as necessárias providências legais.

