Um homem de 47 anos relatou ao Roraima em Tempo que está lidando com um fragmento de cateter alojado em seu braço há quase dois meses, após buscar atendimento no Hospital Geral de Roraima (HGR) devido a dores na coluna. Apesar dos exames de ultrassom e tomografia que revelaram a presença de um corpo estranho, a equipe médica insistiu que se tratava apenas de gordura ou inflamação.
No dia 22 de fevereiro, o paciente procurou o HGR por causa de dor crônica na coluna. Durante a consulta, recebeu medicação intravenosa, mas logo após a remoção do acesso, começou a apresentar um sangramento intenso.
“A enfermeira me deu uma quantidade significativa de algodão para pressionar sobre o local do cateter. Era questão de minutos para estancar o sangramento, mas passou mais de uma hora e, ao retirar o algodão, o sangue continuava jorrando como eu nunca havia visto antes”, recordou ele.
Os profissionais da saúde garantiram que o sangramento excessivo era algo normal. Contudo, depois disso, o paciente começou a sentir dores no braço. No dia 2 de março, ele retornou à unidade onde realizou novos exames que indicaram a presença de um corpo estranho compatível com um fragmento do cateter.
Um cirurgião cardiovascular confirmou que havia um pedaço do tubo de acesso. Ele foi internado por quatro dias no Hospital Lotty Iris, mas outra médica diagnosticou flebite — uma inflamação nas veias — e liberou o paciente sem remover o objeto ainda preso em seu braço.
Retorno ao hospital
<pApós essa experiência, o homem decidiu levar sua reclamação ao Ministério Público de Roraima (MPRR), alegando descaso médico. Após contatar o órgão, ele retornou ao hospital e permaneceu internado por aproximadamente duas semanas.
Nesta nova internação, o médico pediu novos exames e afirmou que se tratava apenas de gordura. Frustrado com a falta de soluções para seu problema, decidiu deixar o hospital por conta própria.
“Desta vez não me deram alta; eu saí porque percebi que tudo era uma mentira e nada estava sendo resolvido. Depois voltei ao hospital sem conseguir mover meu braço, que estava latejante e muito dolorido. Ao retornar ao HGR, fui aconselhado a realizar exames rotineiros”, disse ele.
Posicionamento da Sesau
A Secretaria Estadual de Saúde informou que o paciente recebeu atendimento adequado no Pronto-Socorro Dr. Airton Rocha devido à reclamação sobre a “presença de corpo estranho no antebraço”.
Os protocolos foram seguidos conforme as informações fornecidas pelo paciente; foram realizados ultrassonografia e tomografia do antebraço direito (área indicada pelo homem) e ele foi avaliado por um especialista em cirurgia vascular.
Diante das divergências nos resultados dos exames, a Sesau orienta que o paciente retorne ao Pronto-Socorro Dr. Airton Rocha para dar início a uma nova investigação sobre seu caso.



