A Prefeitura de Boa Vista está realizando uma oficina intitulada Vigilância da Coqueluche, destinada a médicos e enfermeiros que atuam na Atenção Primária. O evento começou nesta segunda-feira, 4 de setembro, e se estenderá até amanhã, dia 5. As atividades estão sendo realizadas no Centro Municipal de Inovação (CMI), situado na avenida Glaycon de Paiva, no bairro Mecejana, das 8h às 12h.
Segundo Pedro Siqueira, superintendente de Vigilância em Saúde e Ambiente, os profissionais que trabalham nas Unidades Básicas de Saúde desempenham um papel crucial no atendimento à comunidade e precisam estar capacitados para o controle da coqueluche.
“Este projeto visa fortalecer a atuação das equipes diante de uma doença que pode ser prevenida e que está sob controle. Em Boa Vista, é essencial aumentar a cobertura vacinal, que representa nosso principal desafio. Além da prevenção, devemos estar prontos para lidar com novos casos que possam surgir”, destacou.
Situação epidemiológica da coqueluche em Boa Vista
Dados do painel do Ministério da Saúde indicam que sete casos de coqueluche foram confirmados em Boa Vista em 2025. No ano seguinte, Roraima enfrentou um surto da doença entre a população indígena Yanomami, detectado pelo Hospital da Criança Santo Antônio após a internação de duas crianças indígenas com diagnóstico positivo.
Entre janeiro e abril de 2026, o hospital registrou 129 casos suspeitos da doença. Nesse período, foram contabilizados quatro óbitos: três crianças com menos de seis meses e uma criança de um ano, todos vinculados a infecções por vírus respiratórios.
A coordenadora municipal de Doenças Transmissíveis e Imunopreveníveis, Edimilla Carneiro, ressaltou que esse quadro alarmante motivou a formação das equipes de saúde. “A coqueluche tem circulado pelo Brasil desde 2024, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, e já registramos casos em Boa Vista. Estamos intensificando a capacitação para agilizar a identificação e o manejo da doença no município”, afirmou.
Para Lanna Rodrigues, enfermeira na Unidade Básica de Saúde do bairro Santa Luzia, essa capacitação é vital para reconhecer casos suspeitos e impedir a disseminação da doença. “Com essa sensibilização, conseguimos expandir o conhecimento nas unidades e alinhar toda a equipe multiprofissional. Também promovemos o bloqueio vacinal e conscientizamos a população sobre a importância da vacinação, fortalecendo nossa colaboração com a comunidade”, comentou.
Sobre a doença
A coqueluche é uma infecção respiratória contagiosa provocada pela bactéria Bordetella pertussis. Sua principal manifestação são crises intensas de tosse seca, podendo afetar também traqueia e brônquios.
A transmissão ocorre predominantemente pelo contato direto com indivíduos infectados através das gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar. Em algumas situações, também é possível contrair a doença por meio do contato com objetos contaminados recentemente por secreções respiratórias.
Vacinação
A vacina contra a coqueluche integra o calendário básico do Sistema Único de Saúde (SUS) e está disponível nas unidades básicas de saúde (UBS) do município. A vacinação é gratuita e essencial para prevenir formas graves da doença, especialmente em recém-nascidos, que são os mais susceptíveis à coqueluche.



