terça-feira, 21 de julho de 2026
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Agricultura

Produção abundante e colheita em ritmo acelerado mantêm arroz sob pressão no mercado

A colheita robusta no Mercosul, junto ao quase término das atividades de colheita no Brasil, continua a impactar o mercado de arroz. Com uma oferta elevada, as chances de uma recuperação significativa nos preços permanecem restritas.

Evandro Oliveira, analista e consultor da Safras & Mercado, observa que alguns agentes do mercado já estão prestando mais atenção a fatores externos que podem influenciar o equilíbrio do setor globalmente no segundo semestre.

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No Brasil, a colheita ultrapassa 94% da área projetada. No Rio Grande do Sul, as operações estão se aproximando da conclusão, com uma produção estimada em cerca de 7,9 milhões de toneladas em grãos. A safra total do país deve ficar em torno de 11 milhões de toneladas.

De acordo com Oliveira, a alta produtividade em regiões-chave do estado, acima de 8,8 toneladas por hectare, aliada ao bom desempenho dos engenhos e à elevada quantidade de grãos inteiros, reforça a percepção de ampla disponibilidade no mercado interno.

Diante desse panorama, os preços permanecem sob pressão, embora ainda encontrem suporte na postura cautelosa dos produtores mais capitalizados. Na região da Fronteira Oeste, os preços oscilam entre R$ 57 e R$ 59 por saca de 50 quilos. Já na Campanha e na Depressão Central, as transações ficam entre R$ 56 e R$ 58.

Nas áreas onde a qualidade industrial é superior, como na Zona Sul e nas Planícies Costeiras, as vendas estão sendo realizadas entre R$ 62 e R$ 65 por saca.

O início desta temporada já demonstra um déficit na balança comercial do arroz, com importações superando as exportações. Essa situação destaca a necessidade urgente de recuperar o fluxo exportador para equilibrar o mercado interno.

No entanto, fatores internacionais começam a oferecer alguma sustentação. O consultor aponta que os preços em Chicago estão próximos a US$ 13 por quintal curto, refletindo um cenário global mais estável.

O último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica uma redução na área cultivada e na produção mundial para a temporada 2025/26, além de estoques finais ligeiramente menores em comparação ao ano anterior.

Além disso, os riscos climáticos voltam a ser uma preocupação para o mercado. A reabertura das discussões sobre El Niño, ondas de calor na Índia, chuvas excessivas em Bangladesh e o aumento nos custos de fertilizantes, combustíveis e crédito agrícola intensificam as preocupações sobre a capacidade produtiva global nas próximas safras.

A média do preço da saca de arroz no Rio Grande do Sul—com grãos inteiros variando entre 58% e 62% e pagamento à vista—fechou na última quinta-feira (14) cotada a R$ 60,24. Esse valor representa uma queda de 2,29% em relação à semana anterior. Em comparação ao mês passado, o recuo chega a 4,40%, enquanto que desde o início de 2025 a desvalorização atinge impressionantes 21,16%.

*Informações coletadas da Agência Safras News

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