Fraude em dedetização: investigação apura cobranças excessivas de até R$ 8 mil em RR

Grupo oferecia os serviços por valores considerados acessíveis, mas após a execução do trabalho, informavam que haviam utilizado uma quantidade muito maior de produto do que a inicialmente prevista, elevando drasticamente o preço cobrado O post Suspeitos de fraude em serviços de dedetização são investigados após cobranças abusivas em RR; vítimas pagaram até R$ 8 mil apareceu primeiro em Roraima em Tempo.

A Polícia Civil do estado de Roraima está conduzindo uma investigação envolvendo cinco homens acusados de realizar fraudes durante serviços de controle de pragas urbanas, comumente conhecidos como dedetização. As investigações revelaram que algumas vítimas enfrentaram cobranças exorbitantes, chegando a R$ 8 mil.

Essa apuração é liderada pela Delegacia de Defesa do Consumidor (DDCON), que instaurou um inquérito para examinar os suspeitos por associação criminosa, violações das relações de consumo e crimes ambientais.

Conforme apurado, os indivíduos ofereciam serviços em residências, estabelecimentos comerciais e hotéis a preços considerados atrativos. Contudo, após realizarem o serviço, alegavam ter utilizado uma quantidade significativamente maior de produtos do que a inicialmente acordada. Dessa forma, aumentavam os valores cobrados das vítimas.

Esse grupo já havia sido denunciado em setembro de 2025 em Roraima, quando foram registrados quatro boletins de ocorrência sobre práticas semelhantes: três em Boa Vista e um em Alto Alegre.

Após as primeiras denúncias, os suspeitos deixaram o estado antes que as investigações pudessem ser concluídas. No entanto, informações recentes levam a polícia a crer que eles retornaram à capital e recomeçaram a oferecer serviços de dedetização.

A investigação aponta que os homens são naturais da cidade de Cedro, em Pernambuco, e costumam se deslocar por diversos estados do Brasil.

Ações policiais e apreensões

Durante as operações, um dos suspeitos foi encontrado e levado à delegacia para prestar depoimento. A polícia, acompanhada por agentes da Vigilância Sanitária Municipal, realizou buscas no local onde os cinco estavam hospedados. Foram apreendidos produtos químicos, uniformes utilizados nos atendimentos, recibos com indícios de irregularidades e outros materiais relevantes.

Os cinco homens foram levados à delegacia para interrogatório; no entanto, acabaram liberados por não haver flagrante que justificasse suas prisões.

Além das investigações sobre possíveis fraudes, também se analisa um possível crime ambiental. Segundo apurações preliminares, os suspeitos informaram que estavam descartando embalagens vazias de produtos químicos inadequadamente ao enterrá-las, desrespeitando as normas de descarte estabelecidas pela legislação vigente.

Método de operação do grupo

A investigação revelou que os suspeitos costumavam afirmar aos clientes que utilizariam cerca de dois litros do produto necessário para o serviço, cujo preço médio era aproximadamente R$ 280 por litro.

No entanto, ao final do trabalho realizado, alegavam ter usado entre 14 e 20 litros do produto, o que resultava em uma cobrança consideravelmente elevada.

“As principais reclamações das vítimas giram em torno da prática enganosa dos investigados. Inicialmente apresentavam um valor acessível e depois alegavam ter utilizado uma quantidade muito maior do produto. Existem indícios claros de que essas informações eram enganosas e visavam induzir o consumidor ao erro”, afirmou o delegado Rodrigo Gomides.

As apurações ainda indicam que as quantidades mencionadas pelos suspeitos são incompatíveis com aplicações normais em residências e estabelecimentos comerciais.

Embora não tenham sido registradas ameaças diretas durante as cobranças, várias vítimas relataram ter efetuado pagamentos totais ou parciais por medo da situação instaurada. Somente após esse episódio elas procuraram a Polícia Civil para formalizar suas queixas.

Incidências em outros estados

A Polícia Civil descobriu registros de ocorrências similares nos estados do Mato Grosso, Rondônia e Acre além de Roraima.

De acordo com as investigações iniciais, há relatos da mesma prática ocorrendo no Mato Grosso desde 2021, o que indica uma possível atuação sistemática desse grupo em diversas regiões do Brasil.

A polícia também verificou o uso dos mesmos aparelhos celulares e linhas telefônicas nas ocorrências registradas no Acre e Roraima, informações estas que estão sendo analisadas na investigação em andamento.

A corporação busca identificar mais vítimas em outras localidades e averiguar se há mais pessoas envolvidas na fraude.

Orientação aos consumidores

A Polícia Civil recomenda que consumidores que tenham contratado serviços semelhantes e se sintam lesados procurem a DDCON ou qualquer unidade policial para registrar boletins de ocorrência.

A orientação é optar apenas por empresas devidamente registradas e com referências confiáveis; além disso, é crucial solicitar um orçamento detalhado antes da execução dos serviços contratados.

“Além do risco financeiro envolvido nessa situação, contratar prestadores sem referências pode colocar a segurança dos moradores em risco. A recomendação é sempre buscar empresas credenciadas e exigir orçamentos claros antes da realização dos serviços”, destacou Gomides.

Fonte: Da Redação

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