segunda-feira, 31 de agosto de 2026
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Agricultura

Subproduto do suco de laranja revela potencial para criação de itens valiosos, indica pesquisa

Os resíduos gerados pela produção de suco de laranja têm o potencial de se transformar em uma fonte valiosa de compostos bioativos, em vez de serem apenas um desafio de descarte. Essa conclusão surge de uma pesquisa conduzida por acadêmicos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Na investigação, os pesquisadores conseguiram recuperar compostos como hesperidina, D-limoneno, valenceno e carboidratos solúveis. Entre as descobertas, destacam-se a extração de hesperidina com um elevado grau de pureza a partir dos resíduos cítricos.

A hesperidina é um flavonoide reconhecido por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O estudo foi realizado no Departamento de Química da UFSCar e teve sua divulgação no periódico científico Foods.

O que sobra da produção de suco de laranja?

A produção industrial de sucos gera diversos subprodutos, como cascas, sementes, bagaço, óleos essenciais e águas residuais.

Embora esses materiais sejam considerados resíduos do processo produtivo, eles contêm uma matriz rica em diversas substâncias que podem ser recuperadas e utilizadas em outras aplicações.

“Apesar do grande volume de resíduos gerados pela indústria citrícola, muitos desses subprodutos ainda não são explorados adequadamente em relação ao seu potencial químico”, observa Antonio Gilberto Ferreira, professor do Departamento de Química da UFSCar.

Diante dessa realidade promissora, Ferreira e a professora Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva exploraram métodos inspirados nos princípios da química verde para aumentar o aproveitamento desses materiais.

A pesquisa contou ainda com a colaboração de Vânia G. Zuin Zeidler, do Institute of Sustainable Chemistry na Alemanha, e foi financiada pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Tecnologia busca extrair compostos dos resíduos

Um dos principais obstáculos enfrentados pelos pesquisadores foi a complexidade química dos resíduos gerados nas diferentes fases da produção.

Para identificar as substâncias presentes nesses materiais sem recorrer a processos muito demorados ou agressivos, o grupo utilizou técnicas como ressonância magnética nuclear (RMN).

Esse método permite a análise de misturas complexas com mínima preparação das amostras e preservando-as intactas.

A técnica foi combinada com cromatografia para separar e identificar os componentes químicos. Assim, os cientistas puderam monitorar a presença de hesperidina, D-limoneno e valenceno durante todo o processo produtivo e descobrir quais frações tinham maior potencial para aproveitamento.

Micro-ondas ajudam a recuperar hesperidina

Outra abordagem utilizada na pesquisa foi a extração assistida por micro-ondas. Essa técnica permitiu simplificar etapas do processo e recuperar compostos bioativos da biomassa residual da laranja.

Por meio da combinação dessas tecnologias, os pesquisadores conseguiram rastrear substâncias relevantes até mesmo no bagaço.

Um dos principais achados foi a obtenção de hesperidina com alto grau de pureza; as análises revelaram purezas de 87,66% por RMN e 84,30% por cromatografia.

Além disso, foram identificados outros compostos como alfa-pineno, sabineno, beta-mirceno e linalol, os quais possuem diversas aplicações industriais.

Resíduo líquido revelou concentração de limoneno

As análises dos resíduos também levaram à descoberta de um problema relacionado ao tratamento da chamada “água amarela”, um líquido resultante da etapa final do processamento do suco.

Conforme Ferreira explicou, os pesquisadores encontraram uma alta concentração de limoneno nesse resíduo.

“A água amarela gerada na fase final do processamento do suco apresentava uma elevada concentração desse terpeno”, relata o pesquisador.

Essa descoberta destacou que a presença do limoneno era o principal fator que dificultava a fermentação do resíduo, um passo necessário para o tratamento adequado antes do descarte deste material.

Resíduo pode se transformar em oportunidade econômica

Os resultados obtidos pelos pesquisadores têm potencial para ampliar as iniciativas voltadas à sustentabilidade e à economia circular na indústria citrícola.

Além de facilitar a recuperação de moléculas valiosas, as técnicas estudadas podem contribuir para resolver questões relacionadas ao manejo e descarte dos resíduos industriais.

Na prática, aquilo que hoje representa um custo na cadeia produtiva pode se tornar matéria-prima para a fabricação de novos produtos.

Dessa forma, esta pesquisa sugere um caminho promissor para agregar valor aos subprodutos da fabricação do suco de laranja enquanto busca minimizar os impactos ambientais associados aos resíduos gerados durante o processo produtivo.

O post Resíduo do suco de laranja pode virar produto de alto valor aponta estudo apareceu primeiro em Canal Rural.

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