Entenda o agronegócio: características e setores

Entenda o conceito de agronegócio e sua relevância no Brasil, incluindo suas características, setores e os impactos sociais e ambientais dessa atividade.

Agronegócio 

O agronegócio desempenha um papel essencial na economia global, englobando uma cadeia produtiva alimentar que conecta diversos segmentos, como agricultura, pecuária, setores industriais e o comércio que consome esses produtos.

Este setor se destaca pelo uso intensivo de tecnologia, que não se limita ao ambiente rural, mas também se estende ao setor industrial, abrangendo indústrias de sementes, fertilizantes, pesticidas e outros insumos agrícolas.

Tópicos deste artigo

  • 1 – O que é agronegócio?
  • 2 – Características do agronegócio
  • 3 – Setores do agronegócio
  • 4 – Ciclo do agronegócio
  • 5 – Agronegócio no Brasil
  • 6 – Vantagens e desvantagens do agronegócio
  • 7 – Exercícios resolvidos

O que é agronegócio?

O agronegócio, ou agrobusiness, refere-se às atividades econômicas vinculadas à agropecuária, ao manejo de florestas para fins comerciais (silvicultura) e ao extrativismo vegetal. Este termo surgiu na década de 1950 e ganhou popularidade na década de 1970, durante a Revolução Verde.

Inclui também empresas que oferecem insumos agrícolas, medicamentos para gado e equipamentos para a agricultura, além de instituições financeiras que disponibilizam crédito para os grandes produtores rurais.

Ademais, o comércio, tanto no varejo quanto no atacado, que lida com produtos rurais, também faz parte do agronegócio. Isso inclui armazenamento, logística, distribuição e marketing, evidenciando como diversos setores econômicos estão interconectados ao agronegócio, ressaltando sua relevância socioeconômica.

Características do agronegócio

Entre as características do agronegócio, destacam-se as propriedades rurais de grande e médio porte, que alcançam alta produtividade tanto na agricultura quanto na pecuária. Na agricultura, a prática da monocultura, que consiste na produção de um único tipo de cultivo, é bastante comum. Muitas propriedades adotam modelos mistos, combinando criação de gado e cultivo de vegetais.

Essas propriedades são fundamentais para a modernização do campo, que resulta de transformações científicas e tecnológicas iniciadas na década de 1950 e intensificadas na década de 1970, com o advento dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM), por exemplo.

A modernização inclui o uso de máquinas avançadas, sementes modificadas, técnicas inovadoras de cultivo e criação de animais, além do desenvolvimento de produtos que aceleram o ciclo natural de plantio e crescimento. Existem laboratórios dedicados à melhoria de espécies de plantas e animais para maximizar a produção.

Esses aspectos (expansão das propriedades e modernização) impulsionam a produtividade do solo, resultando em uma agropecuária mais eficiente. Isso é consequência de investimentos significativos, representando mais uma característica notável do agronegócio: a concentração de riqueza e renda.

Setores do agronegócio

Devido à sua complexidade e às diversas cadeias produtivas, o agronegócio abrange os três setores da economia: primário, secundário e terciário.

O setor primário diz respeito à produção rural, tanto agrícola quanto pecuária. O setor secundário refere-se às agroindústrias, que processam a matéria-prima em escala industrial, como as grandes fazendas que produzem laranja para fabricação de suco engarrafado.

Por último, o setor terciário está relacionado ao comércio, onde a distribuição e venda de produtos rurais movimentam bilhões globalmente, tornando a atividade extremamente lucrativa e sofisticada devido à complexidade dos três setores.

Ciclo do agronegócio

O ciclo do agronegócio pode ser dividido em três etapas:

  • Produção rural
  • Agroindústria
  • Comércio e logística

A complexidade do agronegócio torna-o uma atividade econômica que envolve quase todas as fases da economia. Inicialmente, temos os grandes e médios proprietários rurais com atividades variadas, incluindo criação de gado e cultivo de lavouras.

Na sequência, as indústrias que fornecem máquinas (tratores, equipamentos de irrigação, colheitadeiras) e insumos como fertilizantes e agrotóxicos entram em cena.

Por fim, as atividades comerciais lidam com o armazenamento, distribuição e venda dos produtos para os consumidores, que podem estar em níveis local, regional, nacional ou internacional.

É importante destacar que, embora o setor comercial faça parte do ciclo do agronegócio, ele não é considerado agronegócio em si, mas sim uma parte da extensa cadeia produtiva.

Agronegócio no Brasil

Com uma vasta extensão territorial (o quinto maior país do mundo) e uma abundância de recursos naturais (biomas, hidrografia e solos férteis), o Brasil é um dos principais protagonistas do agronegócio mundial.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, o país contava com o maior rebanho bovino para abate do mundo, totalizando 213.523.056 cabeças de gado, além de mais de 245 milhões de galinhas e 41 milhões de suínos. O Brasil é uma potência agrícola, responsável por alimentar um sexto da população mundial, conforme informações do Ministério da Agricultura.

No entanto, o agronegócio brasileiro não se limita à pecuária. O IBGE projeta grandes recordes de safras de soja, cana-de-açúcar e laranja nos próximos anos, consolidando a liderança do Brasil no cenário internacional. A previsão para a produção de grãos em 2027 é de mais de 355 milhões de toneladas, representando um aumento de pouco mais de 25% em relação à safra de 2018, que foi de 232 milhões de toneladas.

Os grãos mais proeminentes na produção nacional são a soja e o milho, com 38 milhões e 16 milhões de toneladas produzidas em 2019, respectivamente. A maior parte dessas produções ocorre na região Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, que detém o maior rebanho bovino do país, com mais de 30 milhões de cabeças, além de ser líder no cultivo da soja.

Vantagens e desvantagens do agronegócio

Uma das principais vantagens do agronegócio, associada à modernização do campo, é o incremento na produção de alimentos e produtos derivados, como óleos, vinhos, tecidos e tabaco.

Nas últimas décadas, a produção alimentar global tem crescido significativamente, sendo capaz de suprir as necessidades alimentares da população mundial. Contudo, essa produção não chega a todos os lugares.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), uma pessoa morre de fome a cada quatro segundos no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 870 milhões de pessoas vivem em situação de subnutrição, um número alarmante diante da quantidade de alimentos produzidos.

A modernização agrícola aumenta a produtividade, mas vem acompanhada de um alto custo ambiental. Os impactos ambientais das práticas agropecuárias são, em muitas regiões, irreversíveis:

  • desmatamento e queimadas de áreas protegidas para a criação de pastagens e lavouras;
  • contaminação do solo pelo uso excessivo de pesticidas e fertilizantes.

Entre os impactos ambientais mais preocupantes no agronegócio, estão a intensificação de processos erosivos e a degradação dos solos. O solo, sendo um recurso renovável, deve ser utilizado de acordo com sua capacidade, o que nem sempre ocorre nas propriedades rurais. Além disso, a remoção da cobertura vegetal para a implementação de pastagens e lavouras pode agravar a erosão, resultando em perdas significativas de terras agricultáveis.

Os impactos sociais também são notáveis, incluindo:

  • desemprego e êxodo rural, já que o uso excessivo de maquinário reduz a necessidade de mão de obra;
  • possíveis doenças originadas de alimentos contaminados por pesticidas;
  • aumento de conflitos agrários pela posse da terra;
  • crescimento da concentração de riqueza e da desigualdade no meio rural.

Exercícios resolvidos

Questão 1 – (IFMT/2016)

Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Mato Grosso deve oferecer 51,203 milhões de toneladas de grãos, com ênfase em soja e milho, na safra 2014/2015.

O agronegócio é um setor crucial na economia brasileira, destacando-se no Mato Grosso. Sobre esse setor no Brasil, é INCORRETO afirmar que:

A) envolve vários setores, como agricultura de precisão, biotecnologia com investimentos e presença de transnacionais nos ramos de produção de alimentos, maquinários e insumos para a agricultura.

B) o processo de modernização produtiva voltada para inserção no mercado mundial de commodities agrícolas vem marcando a economia da região Centro-Oeste.

C) entre os principais produtos do agronegócio de exportação, estão: soja, carnes, produtos florestais, café, fumo e seus derivados, couro, cereais, suco de frutas, fibras e produtos têxteis.

D) com o avanço da biotecnologia no setor agropecuário, o planejamento, a produção, a comercialização e a exploração comercial transformam todo o setor em agronegócio.

E) os principais destinos da produção brasileira do setor são China, União Europeia, Venezuela, Arábia Saudita, Argentina, Estados Unidos, Rússia e Japão.

Resolução

Alternativa D. Nem todas as atividades são consideradas agronegócio, mas estão interligadas. A alternativa D sugere que toda a cadeia produtiva é agrobusiness, o que não é correto.

Questão 2 – (UEPA/2015)

As técnicas são um conjunto de meios instrumentais e sociais, com os quais o homem realiza sua vida, produz e, ao mesmo tempo, cria espaço […]. Em relação à dinâmica de produção e formas de apropriação do espaço agrário na lógica capitalista, é correto afirmar que:

A) no agronegócio, a policultura, o trabalho assalariado e a produção em pequena escala são algumas das principais referências, enquanto o campesinato é caracterizado pela biodiversidade, monocultura, trabalho familiar e produção em larga escala.

B) os camponeses citricultores são produtores familiares que usam predominantemente o trabalho assalariado; já os citricultores capitalistas utilizam predominantemente o trabalho dos membros da família, cujo número deve ser maior que o de trabalhadores assalariados, exceto durante a colheita.

C) o campesinato não promove a concentração de terra, trabalho e poder; ao contrário do produtor capitalista, que, ao realizar sua produção, ultrapassa os limites de tempo e espaço, devido à necessidade dessa concentração para sua expansão.

D) a predominância do trabalho familiar no agronegócio valoriza a relação social não capitalista que determina o uso do território, enquanto a predominância do trabalho familiar no campesinato define a área de produção, o tempo de trabalho, a renda e a quantidade produzida.

E) o campesinato é parte do agronegócio e é o camponês que controla a tecnologia, o conhecimento, o mercado e as políticas agrícolas, sendo autônomo em relação ao capital, mesmo quando produz dentro do sistema do agronegócio.

Resolução

Alternativa C. O pequeno produtor, ou campesinato, atua de maneira oposta ao grande produtor, que, como demonstrado, realiza grandes investimentos em médias e grandes áreas, aumentando a concentração de terras e, consequentemente, de renda.

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