Ações de empresas do agro têm forte queda após resultado de eleições
As ações de empresas do setor agropecuário na B3 enfrentaram uma forte desvalorização nesta segunda-feira, 26, após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo, 25.
No segmento de frigoríficos, os papéis da MBRF apresentaram uma queda superior a 15%, enquanto as ações da Minerva Foods recuaram mais de 24%. Em contraste, os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) da JBS, que correspondem às ações da companhia na bolsa americana, subiram cerca de 7%.
As companhias que produzem grãos também registraram perdas significativas, com a SLC Agrícola caindo mais de 5%, BrasilAgro acima de 11%, 3tentos com uma queda superior a 19% e a Boa Safra, que viu suas ações desvalorizarem mais de 20%.
Além disso, as empresas do setor sucroenergético também sofreram perdas expressivas, com ações da São Martinho caindo mais de 11%, Jalles Machado perdendo mais de 21% e Raízen apresentando uma queda superior a 18%.
Em função da forte volatilidade, a B3 acionou o “circuit breaker”, uma interrupção temporária das negociações, que ocorreu por 30 minutos.
Exportadoras em foco
Segundo Luca Vello, analista da Genial Investimentos, com a fuga de capital da bolsa brasileira, o capital que permanecerá será direcionado às empresas exportadoras, que incluem muitas das companhias do agronegócio listadas na B3.
“Com o dólar em alta, as empresas que exportam se beneficiam, pois ao converter os ganhos para o câmbio médio, considerando que os custos são em real, terão um desempenho melhor”, destacou Vello em declaração à Globo Rural. “Essas empresas são as únicas que, sob certas condições, se mostram defensivas nesse cenário”, acrescentou.
Esse grupo inclui empresas de papel e celulose, frigoríficos e outras que obtêm uma parte significativa de sua receita do exterior.
No entanto, o analista ressaltou que várias empresas do setor listadas na B3 também geram uma parte considerável de sua receita em real, por meio de transações no mercado interno, o que pode atenuar os potenciais ganhos em real das exportações com a valorização do dólar. “As empresas do agronegócio não necessariamente representam uma estratégia defensiva”, concluiu.
Clarice Couto



