Um estudo recente realizado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) revelou que, dos 15,5 milhões de jovens entre 7 e 16 anos que eram dependentes do Bolsa Família em dezembro de 2012, cerca de 10,3 milhões conseguiram sair do programa até 2024, indicando uma melhoria na ascensão socioeconômica.
Por outro lado, aproximadamente 5,2 milhões de jovens (33,5% do total) ainda estavam recebendo benefícios do programa no ano passado, evidenciando a persistência da pobreza e a complexa questão da mobilidade social no Brasil.
O estudo apontou a importância da transferência de renda como medida imediata de combate à pobreza, mas destacou a necessidade de políticas complementares nas áreas de educação, saúde e geração de emprego para romper o ciclo da vulnerabilidade social.
“O estudo demonstra que o Bolsa Família é essencial para garantir a sobrevivência mínima, mas sozinho não é capaz de promover uma mobilidade social ampla e sustentada, pois não foi projetado com esse propósito. É fundamental integrar políticas de transferência com estratégias que fortaleçam a formação do capital humano e a inserção produtiva dos jovens,” ressaltou o presidente do IMDC, Paulo Tafner.
Segundo Tafner, a saída dos beneficiários do programa da situação de pobreza está relacionada ao cenário macroeconômico do país, à educação dos pais e à infraestrutura nos municípios. “A qualidade da educação e o saneamento básico municipal têm sido historicamente associados à saída da armadilha da pobreza,” acrescentou.
Cadastro Único
O estudo também observou que, dos 15,5 milhões de jovens analisados, 7,6 milhões deixaram completamente a rede de proteção social, inclusive o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) até 2024. O CadÚnico é um sistema de identificação e caracterização socioeconômica que reúne informações detalhadas sobre famílias de baixa renda em todo o país, sugerindo trajetórias mais consistentes de ascensão socioeconômica.
A pesquisa apontou que o desligamento do Cadastro Único estava relacionado às condições iniciais das famílias em 2012. Famílias com chefes mais escolarizados e com renda um pouco mais alta tinham maior probabilidade de sair do cadastro, indicando trajetórias ascendentes. Por outro lado, a baixa escolaridade dos jovens aumentava a probabilidade de permanência no cadastro nos 12 anos seguintes.
Homens tinham mais chances de sair do cadastro do que mulheres, e jovens negros e pardos tinham maior probabilidade de permanecer na rede de proteção social.
Desigualdades regionais e perfil dos beneficiários
O estudo revelou marcadas diferenças regionais nos padrões de saída do Bolsa Família e do CadÚnico. Enquanto as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentavam maiores taxas de desligamento dos programas, o Nordeste e parte da Amazônia Legal registravam maior permanência, refletindo vulnerabilidades históricas.
Apesar de concentrar a maioria dos beneficiários em 2012, o Nordeste manteve, em 2024, uma proporção maior de jovens vinculados ao Cadastro Único. Já no Sul e Sudeste, os índices mais altos de desligamento indicavam maior mobilidade social, apesar da existência de bolsões de vulnerabilidade em áreas urbanas e rurais. O Centro-Oeste mostrou um cenário intermediário, com taxas elevadas de saída em áreas mais dinâmicas economicamente.
O estudo completo pode ser acessado no site do IMDS.
Fonte: Agência Brasil
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