segunda-feira, 20 de julho de 2026
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Agricultura

Pesquisa aponta falha que afeta a produção de látex em seringueiras clonadas

Ainda que a borracha sintética tenha surgido, encerrando o período de riqueza que predominou na Amazônia brasileira entre os séculos 19 e 20, a borracha natural permanece essencial para diversas aplicações, incluindo a fabricação de pneus para aviões e equipamentos médicos.

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A borracha natural é reconhecida por sua combinação singular de flexibilidade e resistência. Isso resulta em produtos com alta elasticidade, capacidade de recuperação da forma original e resistência ao desgaste, calor, rasgos e abrasão. Além disso, essa matéria-prima é renovável e as plantações contribuem para a captura de dióxido de carbono (CO2) do ar.

Produção e Mercado

No cenário atual, o Brasil não ocupa mais a liderança na produção de borracha natural. Hoje, a Tailândia responde por 35% da produção mundial, seguida pela Indonésia com 25% e pelo Vietnã com 8 a 10%. China (6-7%) e Índia (5-6%) vêm logo em seguida. Com uma participação inferior a 2% na produção global, o Brasil enfrenta dificuldades em suprir seu mercado interno e depende da importação dessa matéria-prima.

Um aspecto surpreendente para muitos é que o foco da produção de borracha no Brasil se transferiu da Amazônia para São Paulo. Como a seringueira demora cerca de dez anos para atingir seu pleno potencial produtivo, alguns produtores paulistas que atuam em outras culturas reservam áreas para o cultivo da seringueira como uma estratégia de investimento futuro.

Desafios na Produtividade

Um dos principais desafios enfrentados pelos produtores é a baixa produtividade das árvores quando chega o momento da colheita do látex. Mesmo utilizando clones considerados os melhores disponíveis no mercado, muitos se decepcionam. Um estudo recente realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Instituto Agronômico (IAC), publicado na revista The Plant Genome, elucidou essa questão.

Os pesquisadores descobriram que o porta-enxerto — a planta que suporta o clone enxertado — tem um papel fundamental na produtividade das seringueiras, podendo gerar diferenças significativas na quantidade de látex produzido.

“Investigamos pela primeira vez os mecanismos moleculares que influenciam a interação entre enxerto e porta-enxerto em seringueiras [Hevea brasiliensis], principal fonte global de borracha natural. Nossos resultados mostram que os porta-enxertos não são meramente suportes físicos; eles atuam ativamente na regulação da expressão gênica do clone enxertado, afetando diretamente sua produtividade e adaptação”, explica Wanderson Lima Cunha, pesquisador principal do artigo.

Resultados Principais

Para compreender as variações significativas na produtividade, os cientistas analisaram o transcriptoma — conjunto de genes expressos — em árvores enxertadas em diferentes porta-enxertos. “Detectamos milhares de genes cuja expressão muda conforme a combinação entre enxerto e porta-enxerto, incluindo aqueles relacionados à produção de látex”, destaca Cunha.

Dentre os achados mais relevantes, foram identificados genes exclusivos com expressão diferencial associados às variações produtivas. O estudo também revelou a atuação de vias metabólicas como a do jasmonato (um hormônio vegetal ligado à resposta ao estresse) na produção do látex.

A pesquisa ainda demonstrou diferenças nas redes de coexpressão gênica, sugerindo níveis variados de interação entre genes envolvidos na biossíntese da borracha. Esses resultados ressaltam que o porta-enxerto desempenha um papel além do suporte físico; ele influencia ativamente a fisiologia da planta.

Conforme afirmam os pesquisadores, a falta de conhecimento sobre a importância do porta-enxerto tem causado prejuízos significativos aos agricultores.

<p“Quando um agricultor adquire uma muda, ele se preocupa apenas com o clone e não questiona sobre o porta-enxerto. Muitas vezes não recebe essa informação crucial. Como a seringueira leva anos até entrar em produção plena, o erro só é percebido muito tempo depois. O produtor espera mais de dez anos apenas para descobrir que sua colheita é muito inferior ao potencial esperado”, ressalta Anete Pereira de Souza, professora titular do Departamento de Biologia Vegetal da Unicamp.

Além das contribuições científicas, este estudo possui aplicação prática relevante. Com base nos resultados obtidos, o IAC está desenvolvendo uma cartilha destinada a orientar viveiristas e agricultores sobre as combinações ideais entre clones e porta-enxertos. Os autores também defendem que políticas sejam implementadas para assegurar a identificação do porta-enxerto na venda das mudas.

Esses achados indicam uma mudança significativa nas abordagens relacionadas à cultura da seringueira. Até agora, as iniciativas voltadas ao melhoramento concentram-se predominantemente nos clones enxertados; no entanto, este estudo demonstra que essa abordagem é insuficiente.

Incluir o porta-enxerto como um componente ativo abre novas possibilidades para aumentar a produtividade, melhorar a resiliência frente aos estresses (como secas), diminuir doenças e tornar esta cultura mais competitiva.

O post Estudo revela erro que compromete a produção de látex em seringueiras clonadas apareceu primeiro em Canal Rural.

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