Em 2025, o Brasil observou uma diminuição de 10,8% nas mortes violentas de crianças e adolescentes em comparação ao ano anterior. Apesar dessa queda, a média permanece alarmante, com aproximadamente seis jovens perdendo a vida diariamente devido à violência.
Os dados revelam que, no último ano, foram contabilizadas 2.079 mortes violentas intencionais, conforme informações do coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Cauê Martins. A pesquisa foi realizada em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Embora tenha havido uma redução geral nas mortes, os casos resultantes de intervenções policiais aumentaram em 23,1%. Isso significa que cerca de uma em cada quatro vítimas fatais era alvo da ação policial.
Os adolescentes representam a maior parte das vítimas de violência. Entre as mortes violentas registradas, 88% pertencem a jovens com idades entre 12 e 17 anos. Além disso, os dados indicam que crianças e adolescentes negros são desproporcionalmente afetados por essa realidade cruel.
Conforme analisa o pesquisador, as consequências da violência transcendem os óbitos. Um estudo focado no Rio de Janeiro revelou que em áreas dominadas pela violência e pelo narcotráfico, o abandono escolar eleva-se em 12,5%. Paralelamente, estudantes dessas regiões tendem a apresentar um desempenho inferior no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Layla Saad, representante adjunta de Programas do Unicef, destaca que a violência prejudica o acesso de crianças e adolescentes a direitos essenciais como educação e saúde. Ela alerta que essa situação pode perpetuar um ciclo vicioso de pobreza e exclusão social, intensificando ainda mais a violência.
Aumento alarmante nos casos de maus-tratos
Os números referentes aos maus-tratos são igualmente preocupantes. Entre os anos de 2021 e 2025, houve um crescimento significativo de 106,1%, mais que dobrando nesse período.
Somente em 2025 foram registrados 38.986 casos de maus-tratos, afetando principalmente as crianças mais jovens.
Análise por faixa etária
- 0 a 4 anos: 24,1%;
- 5 a 9 anos: 35%;
- 10 a 13 anos: 25,7%;
- 14 a 17 anos: 15,3%.
Entre as ocorrências envolvendo crianças até 13 anos, impressionantes 65,6% aconteceram na própria residência das vítimas.
Preocupações com a violência sexual
Além disso, os dados revelam um panorama alarmante sobre violência sexual no país. Em 2025 foram registradas impressionantes 61.076 vítimas de estupro.
Esses números evidenciam urgentemente a necessidade de implementar políticas públicas voltadas para prevenir a violência e proteger crianças e adolescentes, além de assegurar o acesso a direitos fundamentais como educação, saúde e segurança.



