O Brasil fechou o ano de 2025 com um recorde no número de empresas em recuperação judicial. Cerca de 5.600 empresas encerraram o ano nesse regime, representando um aumento de quase 25% em relação ao ano anterior. Entre 6% e 7% dos casos estão relacionados ao setor agropecuário, incluindo produtores rurais e empresas da cadeia produtiva.
De acordo com a advogada Lívia Paiva, esse aumento é reflexo da combinação de altas taxas de juros, que dificultam ou até inviabilizam a renegociação de dívidas, e da restrição na oferta de crédito.
“Segmentos que antes impulsionavam o crescimento do setor agora enfrentam um cenário mais desafiador. O cultivo de soja é o exemplo mais representativo, liderando os pedidos de recuperação judicial no campo”, destaca.
Os produtores de soja estão enfrentando um momento desafiador, com a queda nos preços das commodities e os altos custos de produção, especialmente devido à dependência de insumos dolarizados. Com margens apertadas e crédito mais caro, a capacidade de honrar compromissos financeiros fica comprometida.
O aumento das disputas contratuais e do endividamento operacional tem incentivado a busca por soluções extrajudiciais, visando evitar processos longos e preservar relações comerciais.
Uma dessas alternativas é a arbitragem, um método privado de resolução de conflitos em que as partes escolhem um ou mais especialistas para decidir sobre a disputa. Segundo a advogada, a decisão arbitral tem a mesma força de uma sentença judicial, mas o procedimento costuma ser mais ágil, flexível e confidencial, o que tem atraído empresas do agronegócio em meio ao cenário de maior incerteza financeira.
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