A vida nas cidades é marcada pelo constante barulho de veículos, como carros, motos, trens e ônibus. Esta poluição sonora não apenas prejudica a qualidade do sono, mas também pode elevar o risco de doenças como acidente vascular cerebral (AVC), depressão, Alzheimer e Parkinson.
Pesquisadores dinamarqueses conduziram um estudo que revela que a exposição prolongada ao som do tráfego está ligada ao aumento dessas enfermidades, afetando especialmente a população idosa.
Sônia Brucki, professora do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, elucida os impactos da exposição crônica ao ruído sobre o cérebro:
“Os sons interferem no funcionamento das células cerebrais e na produção de substâncias prejudiciais a elas. Isso resulta em maior morte celular, diminuição na formação de novos neurônios e um aumento das alterações observadas em doenças como o Alzheimer.”
Além disso, o estresse causado pelo barulho urbano pode desencadear complicações adicionais, conforme detalha a professora:
“O estresse pode provocar elevações em substâncias cruciais como cortisol e catecolaminas. Isso pode resultar em pressão arterial elevada e aumento da ansiedade. O estresse está também associado a problemas cardiovasculares e a distúrbios vasculares cerebrais. Assim, existem diversos mecanismos pelos quais o ruído crônico pode levar a alterações cerebrais.”
Impactos no sono
A insônia relacionada à poluição sonora é outro efeito significativo. Segundo Sônia Brucki, uma noite mal dormida — sem continuidade no sono — compromete a consolidação das memórias e gera sonolência no dia seguinte, afetando a atenção e a capacidade de aprendizado.
Para mitigar os efeitos nocivos do ruído ambiental, o estudo recomenda medidas como isolamento acústico nas residências e o aumento da arborização nas vias urbanas, que ajudam na absorção do som.
As prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro implementaram legislações municipais para combater a poluição sonora. Entretanto, as avaliações dos níveis de ruído nessas capitais ainda estão pendentes. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno das administrações municipais sobre o assunto.
Fonte: Agência Brasil
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