terça-feira, 21 de julho de 2026
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Agricultura

Calor intenso compromete colheita da soja e gera preocupação para a safra brasileira, segundo a FAO

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), publicado na semana passada, revela que o calor intenso observado entre 2023 e 2024 resultou em uma diminuição de quase 10% na produção de soja. Além disso, a pecuária também foi afetada, enfrentando estresse térmico e queda na produtividade.

Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, destaca que a produtividade das lavouras começa a ser prejudicada quando as temperaturas ultrapassam os 30°C, uma realidade cada vez mais comum nas áreas produtoras de soja localizadas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.

“Em cultivos de milho e soja, a redução no rendimento ocorre quando as temperaturas máximas excedem 30°C durante os períodos reprodutivos. Esse cenário já se tornou habitual em diversas regiões do Cerrado, o que faz com que os aumentos de produtividade dependam cada vez mais de variedades geneticamente melhoradas, ajustes no calendário agrícola e manejo adequado”, explica.

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Ele enfatiza que as melhorias na produtividade estão se tornando cada vez mais atreladas ao uso de tecnologia. “É crucial entender que grande parte da agricultura brasileira já não consegue obter ganhos naturais do clima. Os avanços são quase exclusivamente oriundos da tecnologia e do manejo, implicando em custos mais altos e riscos adicionais”, acrescenta Meza.

Além das perdas financeiras, o relatório também alerta para as consequências para os trabalhadores rurais. A previsão indica que certas regiões do Brasil poderão ter até 250 dias por ano com condições climáticas excessivamente quentes para atividades agrícolas, aumentando os riscos à saúde e exigindo mudanças na rotina laboral.

Implementação de medidas

Meza enfatiza que a adaptação da agropecuária aos efeitos do calor extremo requer não apenas ações dos produtores, mas também a implementação de políticas públicas eficazes.

“Os agricultores não podem agir isoladamente. Para alcançarem sucesso, necessitam do suporte de políticas públicas e ferramentas criadas pelos governos, focadas em investimentos em novas tecnologias, educação, pesquisa e planejamento. O desafio consiste em questões políticas e institucionais além dos aspectos técnicos”, afirma.

Na prática, os agricultores têm opções como sistemas de irrigação, sombreamento nas lavouras, cobertura do solo, mecanização seletiva e um monitoramento climático mais preciso como formas de mitigação.

Importância do monitoramento climático

A relevância do conhecimento sobre o clima é destacada por Meza ao se referir ao planejamento da produção de soja diante das crises climáticas. Compreender os ciclos vegetativos e os efeitos das alterações climáticas é essencial para decisões mais eficazes no campo.

Nesse sentido, a utilização de previsões meteorológicas e sistemas de alerta torna-se uma ferramenta fundamental para minimizar riscos e prejuízos na produção.

Prioridade no trabalhador rural

A adaptação às altas temperaturas também inclui medidas voltadas à proteção dos trabalhadores rurais. De acordo com Meza, existem horários específicos em que é inseguro realizar atividades externas, exigindo uma reorganização dos horários no campo.

Entre as recomendações estão antecipar tarefas para momentos mais frescos do dia, implementar pausas regulares, fazer uso de mecanização seletiva, fornecer vestimentas apropriadas, garantir acesso a água potável e monitorar a saúde dos trabalhadores para assegurar maior segurança frente ao aumento das temperaturas.

O post Calor extremo reduz produtividade da soja e acende alerta para safra no Brasil apareceu primeiro em Canal Rural.

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