domingo, 09 de agosto de 2026
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Aconteceu

Condenação de motorista a 7 anos por homicídio culposo em atropelamento de corredor em Boa Vista; absolvição por omissão de socorro e possibilidade de apelação em liberdade

A motorista Jully Gabriella Passos Mota foi condenada pela Justiça de Roraima por homicídio culposo na condução de veículo sob efeito de álcool, após o atropelamento que resultou na morte do corredor José Francisco Gomes, conhecido como Ferrinho, em Boa Vista. Ela também recebeu pena pelos ferimentos causados a outras três pessoas, mas foi absolvida da acusação de não prestar socorro. A decisão foi proferida pelo juiz Jaime Plá Pujades de Ávila, da 3ª Vara Criminal, no dia 3 de agosto.

A pena total imposta foi de 7 anos, 7 meses e 26 dias de reclusão em regime semiaberto, além de uma suspensão da permissão para dirigir por 2 anos, 4 meses e 22 dias. Apesar da condenação, Jully poderá recorrer em liberdade.

O trágico acidente ocorreu na madrugada do dia 29 de março de 2025, na RR-321, no bairro Pedra Pintada, em Boa Vista. Segundo a denúncia do Ministério Público de Roraima, Jully estava dirigindo sob influência de álcool quando atropelou quatro corredores que se exercitavam na beira da estrada.

Entre os atropelados estava José Francisco Gomes, o Ferrinho. Ele ficou gravemente ferido e faleceu em 27 de abril de 2025, após permanecer internado no Hospital Geral de Roraima (HGR) por cerca de um mês.

Outras três vítimas também sofreram lesões, incluindo a esposa de Ferrinho; duas delas necessitaram passar por cirurgia.

Homicídio culposo

A condenação imposta a Jully Gabriella foi por homicídio culposo, caracterizado pela falta de intenção deliberada em matar. Durante o processo judicial, o juiz constatou que a motorista estava dirigindo alcoolizada mesmo sem ter feito o teste do bafômetro. Embora ela tenha se negado a realizar o exame, a sentença levou em conta outros elementos como depoimentos das testemunhas e dos agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), além dos sinais evidentes de embriaguez observados no local do acidente.

As vítimas e testemunhas relataram que o grupo corria ao longo da rodovia e formaram uma fila ao notarem a aproximação dos faróis. De acordo com os depoimentos analisados pelo juiz, o carro teria saído da pista e colidido com os corredores enquanto retornava ao asfalto.

No entanto, a motorista apresentou uma versão diferente. Durante seu interrogatório, ela alegou que estava na pista quando ouviu o impacto e não conseguiu enxergar os corredores devido à escuridão e ao brilho dos faróis. Além disso, Jully negou estar sob efeito de álcool ou ter tentado fugir do local.

O juiz considerou que os testemunhos das vítimas eram consistentes entre si e corroborados pelas demais evidências apresentadas no processo.

Absolvição

Ainda que haja relatos indicando que Jully Gabriella tentou deixar o local após atropelar as pessoas, ela foi absolvida da acusação de omissão de socorro pela Justiça.

Testemunhas afirmaram que a motorista tentou movimentar seu veículo após o acidente, mas foi impedida por pessoas presentes no local que retiraram a chave do carro. Ela permaneceu dentro do automóvel até a chegada dos agentes da Guarda Municipal responsáveis pela ocorrência.

Para o juiz, para haver uma condenação por omissão de socorro seria necessário comprovar que Jully tomou a decisão consciente de não auxiliar as vítimas. Como essa intenção não foi provada, ele decidiu absolvê-la dessa acusação.

A motorista não foi presa em decorrência da sentença. O juiz permitiu que ela recorresse em liberdade devido à ausência dos requisitos necessários para uma prisão preventiva naquele momento.

‘Revoltante’

A decisão gerou revolta na família de Ferrinho. Pablo Gomes, filho da vítima, expressou sua indignação com a condenação por homicídio culposo e com a possibilidade de Jully recorrer em liberdade. Ele esperava uma punição mais rigorosa e acredita que a motorista assumiu riscos ao dirigir após ingerir bebidas alcoólicas.

“A sentença é revoltante […] todos sabem sobre o chamado dolo eventual. Ela assumiu o risco ao beber e dirigir […] Agora recebe uma pena leve e ainda não ficará presa. Enquanto meu pai teve sua vida interrompida por culpa dela, ela seguirá sua vida normalmente. É frustrante ver isso acontecer sem consequências mais severas para ela.”, desabafou Pablo.

Ele também destacou o impacto emocional causado pela morte do pai na família. Segundo Pablo, Ferrinho deixa esposa e três filhos; dois deles ainda são crianças.

Fonte: Da Redação

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