O recente conflito no Oriente Médio, com destaque para as tensões envolvendo o Irã, gerou impactos significativos no mercado internacional da soja ao longo da semana. Um dos reflexos mais evidentes foi observado nos contratos futuros de óleo de soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT), os quais acabaram influenciando também os preços do grão.
De acordo com Rafael Silveira, analista da equipe de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, o contrato de óleo com vencimento em maio, que é o mais movimentado, está caminhando para encerrar a semana valorizado acima de 66,00 centavos de dólar por libra-peso. Por outro lado, o contrato de soja em grão para maio chegou a se aproximar da faixa de US$ 11,90 por bushel.
Para Rafael, a valorização do óleo acaba proporcionando um suporte momentâneo aos contratos de soja. No entanto, o aumento nos preços do petróleo pode ter impactos mais amplos, especialmente nos custos logísticos a nível internacional.
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Caso os preços do petróleo continuem elevados, o custo do frete tende a aumentar, mantendo os prêmios nos portos do Golfo dos Estados Unidos em patamares altos. Esse cenário pode dificultar ainda mais as compras de soja americana pela China, reduzindo as margens das indústrias esmagadoras devido ao aumento do custo total da matéria-prima.
As importações chinesas de soja dos Estados Unidos, que já vinham em declínio, podem enfrentar um novo desafio com o aumento dos custos logísticos. Parte das cerca de 20 milhões de toneladas que deveriam ser exportadas pelos EUA pode acabar não se realizando, o que poderia garantir estoques americanos mais confortáveis e abrir espaço para correções na Bolsa de Chicago a curto e médio prazo.
No curto prazo, o aumento no preço do óleo sustenta os preços da soja. Contudo, se o farelo começar a cair, seja por mudanças na demanda ou maior foco no óleo, o grão também pode sofrer pressão e declinar, reequilibrando as margens de esmagamento nos Estados Unidos.
Apesar do suporte fornecido pelo complexo soja, alguns fatores continuam restringindo ganhos mais substanciais. Com a safra brasileira em pleno período de colheita, uma grande quantidade de soja brasileira está entrando no mercado internacional. Neste momento, o produto brasileiro é considerado mais competitivo e atraente para a China.
Outro ponto de atenção é a possível reunião entre os líderes da China e dos Estados Unidos, que poderia resultar em novos acordos comerciais envolvendo a soja. Porém, apesar da reunião entre Donald Trump e Xi Jinping estar programada, os agentes do mercado permanecem cautelosos quanto à possibilidade de avanços concretos.
Relatório USDA
Além disso, o mercado está de olho no relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na terça-feira, dia 10. As expectativas apontam para uma redução nos estoques finais de soja dos EUA na temporada 2025/26, passando de 350 milhões para 343 milhões de bushels.
No cenário global, analistas consultados por agências internacionais projetam estoques finais de soja em 125 milhões de toneladas para 2025/26, levemente abaixo das 125,5 milhões indicadas no relatório anterior.
Quanto à América do Sul, o mercado também prevê ajustes nas estimativas de produção. A safra brasileira pode ter sua projeção revisada de 180 milhões para 179,3 milhões de toneladas, enquanto a produção argentina deve cair de 48,5 milhões para 48,1 milhões de toneladas.
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