A Embrapa Arroz e Feijão tem se dedicado ao estudo de leguminosas com o intuito de melhorar o cultivo de arroz irrigado e feijão, visando a recuperação da qualidade dos solos. Entre essas plantas, o gênero Sesbania se destaca por seu potencial em enriquecer o solo.
Conforme explica Leandro Pimenta, técnico da Embrapa, os experimentos vêm sendo realizados na Fazenda Palmital há aproximadamente uma década. Este local é destinado ao desenvolvimento de práticas que visam aprimorar a produção de arroz irrigado.
Leandro observa que, no contexto dos cultivos, a rotação com as leguminosas tem mostrado resultados positivos na cultura do arroz. “Visualmente, as lavouras de arroz apresentam um aspecto superior quando cultivadas em áreas anteriormente ocupadas por Sesbania”, afirma.
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A análise aponta que essa observação está alinhada com estudos científicos que mostram que o gênero Sesbania pode aumentar a matéria orgânica e promover a fixação de nitrogênio no solo. Isso pode resultar em maior produtividade do arroz e diminuir a necessidade de fertilizantes nitrogenados importados, que encarecem a produção.
“Essas leguminosas representam um achado importante, já que é raro encontrar plantas que se adaptem bem em solos encharcados”, acrescenta Leandro.
Processo
Para mensurar os efeitos do cultivo de Sesbania sobre o arroz em áreas irrigadas, será necessário realizar testes detalhados. Isso incluirá medições relacionadas à produtividade dos grãos.
No âmbito desses testes serão avaliados aspectos como a quantidade e qualidade da matéria orgânica incorporada ao solo, além da supressão de doenças e ervas daninhas, aumento da atividade microbiana e potenciais efeitos biorremediadores em diversas localidades representativas dos ambientes produtivos.
O trabalho com as leguminosas do gênero Sesbania, segundo Leandro, já proporcionou um vasto conhecimento sobre o sistema de cultivo. A semeadura é realizada com uma semeadora ou a lanço, dependendo das condições operacionais, durante o início da safra de verão, entre outubro e novembro. Aproximadamente 15 kg ha-1 de sementes previamente tratadas são utilizados.
No início do cultivo, pode ser necessária uma aplicação de graminicida pós-emergente. Após cerca de 110 dias até a floração, as leguminosas são incorporadas ao solo utilizando um equipamento rolo-faca, resultando na adição de cerca de 60 toneladas de massa verde por hectare proveniente da parte aérea das plantas.
Reparação e descontaminação
Dentre os benefícios adicionais do gênero Sesbania, destaca-se sua capacidade reconhecida na literatura científica para melhorar e restaurar funcionalmente os solos afetados.
No contexto das enchentes ocorridas em 2024 no Rio Grande do Sul, que devastaram campos de arroz irrigado devido à inundação, as leguminosas têm potencial para contribuir na recuperação das propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, ajudando assim no retorno à produção orizícola.
Ainda se pode considerar o uso de Sesbania para auxiliar na reabilitação de solos contaminados por resíduos minerários. Um exemplo disso foi o desastre da barragem em Mariana (MG), que afetou significativamente a Bacia do Rio Doce.
Cientificamente há indícios de que as plantas do gênero Sesbania podem absorver elementos químicos tóxicos presentes no solo; esses elementos ficam armazenados na parte aérea da planta, que deve ser monitorada e disposta corretamente após corte.
Ainda que a remoção total dos metais não seja significativa em alguns casos, Sesbania também contribui através da fitoestabilização: sua capacidade reduz a mobilidade desses elementos no ambiente.
Pela sua rápida taxa de crescimento e grande produção de biomassa, essa planta protege o solo contra erosão e transporte de partículas para corpos d’água. Além disso, suas raízes e matéria orgânica contribuem para a imobilização dos metais na zona radicular, diminuindo sua disponibilidade imediata no complexo solo–água–planta.
Próximos objetivos
No tocante à restauração ambiental ou à melhoria do cultivo do arroz em áreas afetadas por alagamentos, existe a possibilidade de desenvolvimento de projetos voltados para testar o potencial das espécies do gênero Sesbania. Esse será um próximo passo importante para os especialistas da Embrapa.
Mabio Lacerda, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, mencionou que estão sendo elaborados protocolos para conduzir pesquisas com foco no impacto das leguminosas em sistemas agrícolas envolvendo arroz e feijão e outras culturas.
“Planejamos selecionar regiões no Brasil para realizar esses experimentos. Faremos uma caracterização detalhada do solo e estratificação dos ambientes para delinear ensaios capazes de gerar dados relevantes sobre as relações entre solo-planta-grão”, explica Mabio Lacerda.
A meta futura inclui também recomendar variedades apropriadas de arroz e feijão além das melhores práticas para manejar lavouras juntamente com plantas condicionadoras como Sesbania.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
A publicação aborda iniciativas da Embrapa focadas na recuperação dos solos utilizados no cultivo do arroz e feijão.

