A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) criou um novo tipo de calcário granulada, que visa corrigir a acidez do solo e adicionar nutrientes à sua composição. Essa inovação foi desenvolvida no Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, localizado em Brasília (DF). O produto já foi testado em cultivos de soja e trigo, com produção variando desde 10 gramas em laboratório até toneladas em escala industrial.
Conforme informações da Embrapa, essa nova formulação foi gerada através de um processo denominado moagem de alta energia, que reduz os ingredientes a tamanhos próximos aos átomos e moléculas. Em seguida, as partículas são aglutinadas para formar grânulos que apresentam maior resistência mecânica e uniformidade. Essa abordagem permite que o insumo não seja utilizado na forma de pó, diminuindo assim a dispersão pelo vento e as perdas durante a aplicação.
Outro aspecto relevante mencionado pela empresa estatal é a menor suscetibilidade à umidade durante o transporte e armazenamento. O calcário tradicional pode sofrer empedramento devido à umidade, o que prejudica seu uso em máquinas agrícolas. A nova versão granulada apresenta a proposta de aumentar a estabilidade física do material, minimizando essas limitações operacionais.
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Além de servir para correção do solo, esse insumo também pode funcionar como um fertilizante misto. O pesquisador Luciano Paulino da Silva, atuando na área de nanobiotecnologia da Embrapa, destacou que foram criados protótipos com diferentes concentrações para atender diversas culturas como algodão, café, cana-de-açúcar, milho e soja. Essa formulação pode incluir cálcio ou magnésio combinados com nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, boro, cobre e zinco.
Em uma nota técnica divulgada pela Embrapa, foi destacado que os protótipos apresentaram um adequado poder de neutralização e mostraram potencial para aumento na produtividade e redução das operações no campo. No entanto, não foram fornecidos dados sobre porcentagens específicas de aumento de produtividade, custos associados ou prazos para comercialização em larga escala.
Os experimentos fora do laboratório estão sendo realizados pela empresa Perical, que possui unidades em Goiás e Tocantins. Essa parceria com a Embrapa já dura mais de três anos.
A inovação traz avanços significativos em três aspectos importantes para os produtores: correção do solo, nutrição das plantas e eficiência logística. Contudo, os efeitos agronômicos e econômicos em larga escala ainda dependem da ampliação dos ensaios em campo e da disponibilização dos resultados quantitativos por tipo de cultura e sistema produtivo.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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