Optar por viver sozinho representa um marco significativo em direção à autonomia financeira, embora essa experiência varie entre as diferentes gerações. Essa variação foi evidenciada em uma pesquisa realizada pela Serasa em colaboração com o Instituto Opinion Box. Entre os participantes da Geração Z que habitam sozinhos, 62,6% residem em imóveis alugados. Em contraste, apenas 29,1% dos membros da Geração X e dos Baby Boomers estão na mesma situação, indicando uma tendência crescente para a aquisição da casa própria ao longo do tempo.
A pesquisa também destaca as distinções nos estilos de vida das diferentes gerações. Para aqueles nascidos entre 1946 e 1980, o carro permanece como o meio de transporte mais utilizado, com 38% dos entrevistados afirmando essa preferência. Por outro lado, os jovens da Geração Z optam principalmente pelo transporte público (26%), seguidos pelas motocicletas, que atraem 23% das escolhas.
Em relação à percepção sobre o orçamento, todas as faixas etárias compartilham a sensação de que o custo de vida está em ascensão. Dentre os que vivem sozinhos, 71,4% da Geração X e dos Baby Boomers relataram sentir um impacto significativo devido ao aumento dos preços nos últimos doze meses. Esse índice é um pouco menor entre a Geração Y, com 64,9%, e ainda mais reduzido na Geração Z, com 55,2%.
“A percepção de que viver se tornou mais oneroso é comum a todas as gerações, evidenciando que a inflação nos custos básicos afeta praticamente todos aqueles que residem sozinhos, independentemente da idade”, comenta Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa.
Desafios na gestão financeira persistem
Os dados da pesquisa indicam que tanto viver sozinho quanto com familiares não fazem grande diferença quando se trata de controlar as finanças. Entre os indivíduos que moram sozinhos, 25% consideram desafiador gerenciar suas despesas e outros 20% descrevem essa tarefa como extremamente difícil. Esses mesmos percentuais foram observados entre quem reside com cônjuge ou filhos.
Os gastos essenciais são os principais responsáveis pela pressão no orçamento familiar. Para ambos os grupos — aqueles que vivem sozinhos e os que moram com parentes — as despesas do supermercado são mencionadas por 80% dos entrevistados como as mais relevantes. Na sequência estão as contas de serviços como água, energia elétrica e internet, citadas por 51% dos participantes.
A maior discrepância refere-se aos gastos relacionados à moradia. Entre quem vive isoladamente, 34% afirmaram que despesas com aluguel ou condomínio impactam significativamente seu orçamento. Já entre aqueles que residem com familiares, esse número cai para 27%.
Na hora de priorizar pagamentos, aqueles que moram sozinhos colocam as contas regulares no topo da lista (75%), seguidas pelas despesas do supermercado (74%) e moradia (53%). A ordem se mantém similar entre quem mora com parentes, ressaltando que o maior desafio financeiro continua centrado nas necessidades básicas.
“Os dados revelam que viver sozinho evoluiu de uma simples conquista de independência para um considerável desafio em termos de gestão financeira. Hoje em dia, isso está menos relacionado a gastos supérfluos e mais vinculado às despesas essenciais. À medida que esses custos consomem uma parte maior da renda disponível, resta menos espaço para economizar e lidar com imprevistos financeiros. Portanto, um bom planejamento e organização antes da mudança são fundamentais para garantir uma transição mais sustentável”, enfatiza Aline Vieira.
Iniciativa educacional da Serasa
Visando auxiliar consumidores que desejam morar sozinhos ou já enfrentam os desafios desse estilo de vida, a Serasa lançou em 29 de julho a série multiplataforma “Morando Sozinho”. O objetivo é fornecer informações práticas sobre os custos associados à vida independente e sugerir cuidados financeiros úteis para tornar essa experiência mais segura.

